Sábado a noite sozinha. Não tenho amor e o sexo ready made que eu arranjei não estava disponível. Pensei em me jogar pela janela e escrever uma declaração explicando de quem era a culpa da minha desistência: De um homem e da minha chefe, mais dela do que dele.
Comi todos os chocolates, telefonei, li o que era possível e nada. Solidão não derrete com o calor. Decidi entrar no Bate Papo da UOL e exercitar a paciência que eu tinha aos 16 anos. O problema é que aos 24, quase 25 anos, a pergunta "Tc de onde?" soa péssima. Ainda assim continuei. Aos dois dias dos 25 anos nenhuma sala tem gente, só a de sexo. Entro com o nome "Deborah". Vejo os nicks menos sutis: "Pau grande come cu", "Buceta encandescente", "Garota molhada" e O "Casado safado" de sempre. Nada me apetece.
Num cantinho desse espaço virtual gelado tinha um "sozinho" assim, com letra minúscula. Puxei assunto. Me perguntou se eu também estava sozinha e por que. Não paramos de conversar. Não falamos sobre sexo. Os assuntos se estreitaram. Ele é angolano. Eu e ele buscamos companhia para os sábados vazios em salas de bate papo que se tornaram obsoletas.
Meu ready sex boy, que só serve pra isso e faz isso muito bem, não tem habilidade com a minha carência. O homem que eu amo conhece cada centímetro da minha tristeza, mas tem tumulto suficiente pra se manter longe pelos próximos 15 anos. Minha mãe me acha vulgar e minhas amigas são casadas. O "sozinho" angolano salvou a minha noite.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Again.
No Carnaval do ano passado eu estava com ele. Na quinta feira antes do início das festas todas, eu tinha ido ao cinema com ele. Eu não trabalhei na sexta-feira e passei com ele toda a noite. Lá pelas tantas a gente sentou na calçada do meu prédio e eu me deixei envolver pelas mãos que até hoje não foram embora de mim.
Amanhã é sexta e já é Carnaval de novo, mas ele não é meu. Ele não está. Nunca sei se a minha insistência em gostar dele sem esperança é maluquice ou intuição. Nunca sei.
Durante esse tempo eu tentei me envolver com as minhas coisas, foi assim que me aconselharam. Estudei, trabalhei, dancei, beijei outros, não beijei, liguei, fui, falei e aqui estou, de volta.
Hoje no jornal lá estava ele. E aqui estou eu. Ele não me lê. Nem precisa. Cada uma dessas palavras é desnecessária quando eu olho pra ele. Quando eu vejo homens parecidos com ele na rua e o meu coração acelera, não é preciso falar.
Juro que fiz o possível. Me entreguei a quem não queria e a quem me era conveniente. Não me arrpendo de nada, mas não posso arriscar sofrer mais. Tenho desgaste suficiente already.
Em "Paris, Texas", Jane, a personagem da Nastassja Kinski, diz que por meses teve conversas imaginárias com o homem que a tinha deixado. Ela conversava tanto e os diálogos eram tão reais que as respostas vinham instantâneas. Lentamente ela foi parando de ouvir a voz dele e falando sozinha. Quando foi trabalhar se exibindo em cabines eróticas, anos depois, disse achar que todos os homens tinham a voz dele.
Já esse homem, abdicou de rever a mulher que amava porque sabia do potencial insano daquele sentimento.
Eu sei o estrago que o Carnaval do ano passado fez em mim. Eu não esqueço. Pode haver homens melhores. Podem haver os que me amaram mais. Mas não há, nesse momento, ninguém que eu queira mais.
Foda-se a escrita repetitiva. Eu preciso falar.
Amanhã é sexta e já é Carnaval de novo, mas ele não é meu. Ele não está. Nunca sei se a minha insistência em gostar dele sem esperança é maluquice ou intuição. Nunca sei.
Durante esse tempo eu tentei me envolver com as minhas coisas, foi assim que me aconselharam. Estudei, trabalhei, dancei, beijei outros, não beijei, liguei, fui, falei e aqui estou, de volta.
Hoje no jornal lá estava ele. E aqui estou eu. Ele não me lê. Nem precisa. Cada uma dessas palavras é desnecessária quando eu olho pra ele. Quando eu vejo homens parecidos com ele na rua e o meu coração acelera, não é preciso falar.
Juro que fiz o possível. Me entreguei a quem não queria e a quem me era conveniente. Não me arrpendo de nada, mas não posso arriscar sofrer mais. Tenho desgaste suficiente already.
Em "Paris, Texas", Jane, a personagem da Nastassja Kinski, diz que por meses teve conversas imaginárias com o homem que a tinha deixado. Ela conversava tanto e os diálogos eram tão reais que as respostas vinham instantâneas. Lentamente ela foi parando de ouvir a voz dele e falando sozinha. Quando foi trabalhar se exibindo em cabines eróticas, anos depois, disse achar que todos os homens tinham a voz dele.
Já esse homem, abdicou de rever a mulher que amava porque sabia do potencial insano daquele sentimento.
Eu sei o estrago que o Carnaval do ano passado fez em mim. Eu não esqueço. Pode haver homens melhores. Podem haver os que me amaram mais. Mas não há, nesse momento, ninguém que eu queira mais.
Foda-se a escrita repetitiva. Eu preciso falar.
sábado, 6 de fevereiro de 2010
Carnaval.
Eu queria ter sido uma criança que se fantasiava de melindrosa no Carnaval. Queria ter ido aos bailes infantis do Clube Palmeiras de Iguaba Grande com as minhas amiguinhas, que passavam a tarde se arrumando para a festa. Mas quem tem avó evangélica e mãe antisocial não pula Carnaval.
Carnaval pra mim tem quase o mesmo gosto do Natal e do Ano-Novo. É sabor de desencanto, de utopia e quarta-feira de cinzas. Hoje, quando saí do cinema e vi a Cinelândia cheia, me dei conta do pré-desfile do Bola Preta. Pensei na disponibilidade para a diversão daquelas pessoas de chinelo e camiseta que como eu, trabalharam o dia inteiro, mas ainda estão animadas as dez da noite.
Na esquina da minha rua tinha um bloco passando. Passistas, baianas, bateria e gente feliz. Fiquei vendo aquilo tudo sozinha. Queria participar. Queria saias de tule e porpurina. É bonito demais o Carnaval. Atrás dele só não vai quem já morreu.
Carnaval pra mim tem quase o mesmo gosto do Natal e do Ano-Novo. É sabor de desencanto, de utopia e quarta-feira de cinzas. Hoje, quando saí do cinema e vi a Cinelândia cheia, me dei conta do pré-desfile do Bola Preta. Pensei na disponibilidade para a diversão daquelas pessoas de chinelo e camiseta que como eu, trabalharam o dia inteiro, mas ainda estão animadas as dez da noite.
Na esquina da minha rua tinha um bloco passando. Passistas, baianas, bateria e gente feliz. Fiquei vendo aquilo tudo sozinha. Queria participar. Queria saias de tule e porpurina. É bonito demais o Carnaval. Atrás dele só não vai quem já morreu.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Cama de tatame.
Quarto claro, banheiro com azulejos antigos, limpos, sem cheiro. Chão de ladrilhos. Cama dura. Eu te amo nesse final de tarde quente de verão cansado, de verão de dores acumuladas e de desejos soltos. Não te quero pra mim, não me interessam o seguro de vida, a madrugada e o portão de casa. Quero de você a rua e a cama. São beijos ansiosos, mãos no rosto, dentes e cabelo preso. Você é meu. Eu sou sua.
Tem força, sussuros, pedidos, blefes. O quarto, a cama, o jogo. A noite começa, é você quem manda.
Não durmo mais.
Tem força, sussuros, pedidos, blefes. O quarto, a cama, o jogo. A noite começa, é você quem manda.
Não durmo mais.
sábado, 16 de janeiro de 2010
Acomodação.
Tenho horror a pessoas que param a vida para fazer concurso público. Me sinto angustiada só de pensar no quanto é mediocre ter que frequentar aulas de cursinho, reaprender o que é ditongo, tritongo e hiato e escolher na sorte as respostas da prova de matemática em tardes de domingos de sol. Pra mim é uma ilusão. O salário de 17 mil vem de verdade para poucos. Os brilhantes passam de primeira, sem Academia do Concurso ou qualquer genérico e deixam do lado de fora homens e mulheres que só queriam estabilidade.
O sonho da casa própria, com carro na garagem e viagem de férias com os possíveis filhos depende dos 17 mil. É preciso estar atento e forte sempre. Eu sou distraída. Não nasci pra isso.
Minha mãe conta que uma paciente dela que é juíza, estudou tanto pra passar que só soube que o muro de Berlin tinha caído um ano depois. Que juíza pode arbitrar qualquer coisa se ignora a queda do Socialismo? Que pessoa pode se isolar assim impunemente?
Vou ao cinema depois do trabalho, pago quase todas as minhas contas e só. Minhas ilusões amorosas já são suficientes. Entre fazer a hora e esperar acontecer estou eu, feliz.
O sonho da casa própria, com carro na garagem e viagem de férias com os possíveis filhos depende dos 17 mil. É preciso estar atento e forte sempre. Eu sou distraída. Não nasci pra isso.
Minha mãe conta que uma paciente dela que é juíza, estudou tanto pra passar que só soube que o muro de Berlin tinha caído um ano depois. Que juíza pode arbitrar qualquer coisa se ignora a queda do Socialismo? Que pessoa pode se isolar assim impunemente?
Vou ao cinema depois do trabalho, pago quase todas as minhas contas e só. Minhas ilusões amorosas já são suficientes. Entre fazer a hora e esperar acontecer estou eu, feliz.
quinta-feira, 7 de janeiro de 2010
Cotidiano.
Às seis da manhã de uma quinta-feira de verão fazer dieta parece fácil. Bebo água e quero ele de volta. As nove e meia saio de casa certa de que minhas intenções de ser mais magra são tão nobres que certamente serão recompensadas no caminho. A manhã é rápida e se eu almoçar ainda tenho o resto do dia inteiro para alcançar meu objetivo de entrar numa calça 42. Três da tarde e eu não consigo esquecer. Seis horas a Ave Maria toca sorrateira e eu estou livre. Ele não é meu. Posso ser feliz comendo chocolate. No ônibus, as oito da noite, i'm dancing whith myself-oh oh oh oh. Em casa a madrugada é dura. Sinto sono. Perdi.
E é assim sempre.
E é assim sempre.
domingo, 3 de janeiro de 2010
Eu não tenho talento, só coração.
Algumas pessoas são contempladas com a materialização do amor. Outras são presenteadas com a magreza e algumas nascem sabendo cantar, desenhar ou fazer contas. Constantemente penso em como deve ser a convivência com esses talentos que não possuo e percebo que, por conta das demais dificuldades inerentes a existência, quase ninguém se dá conta do que têm.
Nessa época muito se fala sobre os planos para o ano que se inicia. Meus objetivos para 2010 são os mesmos de 2009 e são poucos. Não sei construir metas, datas-limite ou revanches. Não planejo caber numa calça 42, a Europa não deve vir por agora, não tenho perspectivas de me casar e minha inteligência continua indo até a página sete.
Hoje, um domingo de sol bonito, me senti sozinha e entediada. Nada para fazer, ninguém para amar e telefone sem tocar.
Eu certamente seria mais feliz se soubesse rebolar, mas não fui questionada sobre o que queria pra mim. Continuarei assistindo o mundo acontecer.
Nessa época muito se fala sobre os planos para o ano que se inicia. Meus objetivos para 2010 são os mesmos de 2009 e são poucos. Não sei construir metas, datas-limite ou revanches. Não planejo caber numa calça 42, a Europa não deve vir por agora, não tenho perspectivas de me casar e minha inteligência continua indo até a página sete.
Hoje, um domingo de sol bonito, me senti sozinha e entediada. Nada para fazer, ninguém para amar e telefone sem tocar.
Eu certamente seria mais feliz se soubesse rebolar, mas não fui questionada sobre o que queria pra mim. Continuarei assistindo o mundo acontecer.
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