Duas amigas da época de escola vão se casar esse ano. Um amigo da faculdade também vai. Todos farão festa. Vou ser madrinha de uma das meninas e pra isso terei que usar vestido longo. Não poderei repetir o figurino das outras duas vezes que apadrinhei matrimônios porque dessa vez o casório será de dia e a indumentária não pode ter brilho.
Terei que emagrecer porque vestido longo em gordinha não fica legal. Vi hoje um penteado bonito em uma revista antiga, que consiste em um rabo de cavalo com trança e uma mecha solta. Fica lindo, mas eu preciso deixar o cabelo crescer e permanecer loira. Gosto de mim loira, mas fico chateada em gastar uma fortuna pra retocar a tinta a cada dois meses.
Acho vestido de noiva um sonho. Adoro festança, marcha nupcial e docinhos confeitados. Acho cafona a parte da família distante ali presente, mãe da noiva de braço dado com pai do noivo, etc. Mas os amigos dançando felizes e alcoolizados me parece encantador.
No entanto, tenho clareza de que nada disso é pra mim. Não ganho bem o suficiente pra pagar o evento e minha família, como vocês sabem, não gosta de protocolos. Meu pai e minha mãe nunca investiriam em me ver de véu e grinalda porque eles mesmos não quiseram nada disso, casaram no civil e foram almoçar. Eu é que sou a brega da história e gosto de pompa e circunstância.
Mas meu namorado é igual aos meus pais e ao Raul Seixas, acha tudo isso um saco. Ele, muito menos, daria dinheiro pra esse tipo de futilidade.
Acredito que quando estamos apaixonados a ponto de decidirmos nos unir efetivamente, dividir a alegria com o mundo é importante. Mas não sei se a pessoa que eu amo está disposta a conciliar objetivos e aparecer em fotos.
Essa certamente será uma frustração que eu levarei para sempre.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Coisas que aprendi no reveilon em Maromba
Formigas assustam
Cachaça com mel e queijo minas meia cura antes de entrar na cachoeira faz muito bem
Se está lá, truta é a melhor opção
A meia noite do dia 31 dormindo ao lado de quem eu amo é mais bonita do que qualquer Copacabana
Água gelada limpa mais do que sabonete
Comprar presentes para a família é furada
A MTV se recuperou do Reestart
Paulistas ricos podem ser muito chatos
Estar de carro faz diferença sim
Maringá é uma delícia, mas Maromba é mais perto da natureza e é isso que faz diferença no fim das contas
A chuva potencializa o amor, vontade de fazer xixi a noite não.
Cachaça com mel e queijo minas meia cura antes de entrar na cachoeira faz muito bem
Se está lá, truta é a melhor opção
A meia noite do dia 31 dormindo ao lado de quem eu amo é mais bonita do que qualquer Copacabana
Água gelada limpa mais do que sabonete
Comprar presentes para a família é furada
A MTV se recuperou do Reestart
Paulistas ricos podem ser muito chatos
Estar de carro faz diferença sim
Maringá é uma delícia, mas Maromba é mais perto da natureza e é isso que faz diferença no fim das contas
A chuva potencializa o amor, vontade de fazer xixi a noite não.
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Calendário da Copa do Mundo.
Ontem fui jantar com dois grandes amigos. Enquanto comíamos, um deles comentou sobre a intenção do governo do estado em modificar o calendário letivo em 2014 com o objetivo de transferir as férias de um mês de janeiro para julho. Fui taxativa em afirmar que sou contra. Me indagaram por que razão e eu falei apenas que não acho justo que a minha vida seja desestruturada em razão de um evento que não foi escolhido por mim. Um deles retrucou dizendo que o meu empregador escolheu e que eu tenho que ter disponibilidade para obedecer e lidar com mudanças. O assunto acabou deixando um ar desagradável entre nós por algum tempo.
Fiquei com isso na cabeça. Expliquei a situação a minha mãe, que não só concordou com o meu amigo, como acrescentou que "quem sou eu para discordar do meu empregador?" e disse que na vida nós temos que acatar as ordens que nos são dadas e blá blá blá.
Aprendi sozinha que a opinião de mamãe não é exatamente correta, pois vocês sabem bem que eu optei por não fazer greve para não entrar em conflitos com o meu empregador, e quando o mesmo teve a oportunidade de retribuir a minha lealdade, permitindo que eu me ausentasse por duas semanas por conta dos estudos para a seleção de mestrado, quase fui desligada do emprego. Com isso entendi que se eu discordar, não devo ter problemas em expressar minha opinião e agir de forma consonante a dos meus colegas, pois eles não deixarão de exercer o papel castrador que lhes cabe por consideração a mim.
Não sou contrária a Copa do Mundo. Pelo contrário, me emociono muito a cada quatro anos torcendo para os países com os quais simpatizo, como Argentina, Portugal, Uruguai, Gana, etc. Não entendo nada de futebol, então torço pra quem acho que merece ganhar, embora saiba que não é assim que a coisa funciona. Mas acho importante e bela a integração que a Copa proporciona e, longe de mim, me opor ao evento.
O que ocorre é que me parece injusto que seja prolongada a presença de alunos e professores na escola no verão (e no Rio o verão não é ameno), para que no inverno, com a maior das atrações ocorrendo por todo o território nacional, o que tornará os preços das passagens, aéreas e rodoviárias, exorbitantes e impedirá que nós façamos viajens normais. Outros setores terão folgas localizadas durante esses dias, mas garantirão o seu recesso em algum outro momento. Além disso tem a lama toda na qual o nosso governador está inserido, o que não me permite confiar nele ou colaborar com os seus designos de forma tranquila.
Por outro lado, acredito que não posso ser egoísta e, se de fato me for imposto esse calendário, obedecerei e mesmo se tiver que ver os jogos pela televisão, me emocionarei.
Não quero ser intransigente, nem perder a ternura.
Fiquei com isso na cabeça. Expliquei a situação a minha mãe, que não só concordou com o meu amigo, como acrescentou que "quem sou eu para discordar do meu empregador?" e disse que na vida nós temos que acatar as ordens que nos são dadas e blá blá blá.
Aprendi sozinha que a opinião de mamãe não é exatamente correta, pois vocês sabem bem que eu optei por não fazer greve para não entrar em conflitos com o meu empregador, e quando o mesmo teve a oportunidade de retribuir a minha lealdade, permitindo que eu me ausentasse por duas semanas por conta dos estudos para a seleção de mestrado, quase fui desligada do emprego. Com isso entendi que se eu discordar, não devo ter problemas em expressar minha opinião e agir de forma consonante a dos meus colegas, pois eles não deixarão de exercer o papel castrador que lhes cabe por consideração a mim.
Não sou contrária a Copa do Mundo. Pelo contrário, me emociono muito a cada quatro anos torcendo para os países com os quais simpatizo, como Argentina, Portugal, Uruguai, Gana, etc. Não entendo nada de futebol, então torço pra quem acho que merece ganhar, embora saiba que não é assim que a coisa funciona. Mas acho importante e bela a integração que a Copa proporciona e, longe de mim, me opor ao evento.
O que ocorre é que me parece injusto que seja prolongada a presença de alunos e professores na escola no verão (e no Rio o verão não é ameno), para que no inverno, com a maior das atrações ocorrendo por todo o território nacional, o que tornará os preços das passagens, aéreas e rodoviárias, exorbitantes e impedirá que nós façamos viajens normais. Outros setores terão folgas localizadas durante esses dias, mas garantirão o seu recesso em algum outro momento. Além disso tem a lama toda na qual o nosso governador está inserido, o que não me permite confiar nele ou colaborar com os seus designos de forma tranquila.
Por outro lado, acredito que não posso ser egoísta e, se de fato me for imposto esse calendário, obedecerei e mesmo se tiver que ver os jogos pela televisão, me emocionarei.
Não quero ser intransigente, nem perder a ternura.
domingo, 25 de dezembro de 2011
manhã de Natal
Não está sol. Mamãe sai pra caminhar bem cedo. A cachorra chora. As rabanadas têm gosto de queimado. Durmo mais. Acordo e ligo o computador, várias mensagens de fraternidade e alegria. Leio o jornal, nada demais. Durmo de novo. Vovó está com gripe e não sai do quarto. Alimentamos a cachorra, que dorme com cara de desânimo.
O apartamento é novo, todo branco, com vazamentos. Vê-se a praia da janela, mas ir a praia não parece boa ideia porque não há assunto entre nós. Os colchões estão no chão da sala. Mamãe não sabe o que fazer com esse lugar. Os enfeites rústicos não combinam com o design clean. Ela está visivelmente frustrada e arrependida, queria ter comprado alguma coisa na Zona Sul. Quando ela teve dinheiro pra adquirir um imóvel em Copacabana por um preço bom, eu, que tinha 18 anos, a desencorajei porque gostava da Tijuca. Culpa eterna. Decidiu investir na Barra. A toa.
Interrompo o silêncio dizendo que vou comer queijo. Chamamos minha avó e então todas estão sentadas a mesa. Um principio de conversa se inícia. Minha irmã, no entanto, sem paciência nenhuma para confraternizar, se retira para preencher palavras cruzadas, mamãe sai pra ler mais um dos livros da Martha Medeiros que ela não termina e restamos eu e vovó, que me pergunta pela terceira vez o que vou fazer no ano-novo.
É meio dia. Não tem almoço. A comida de ontem não apetece. Alguém liga a televisão e vê um programa porcaria de domingo, onde toca Kenny G e uma banda de três irmãos feiosos, que fez sucesso há alguns anos, aparece cantando "Olhar 43" do RPM. Algumas mensagens de amor chegam pelo celular. Infeliz Natal.
O apartamento é novo, todo branco, com vazamentos. Vê-se a praia da janela, mas ir a praia não parece boa ideia porque não há assunto entre nós. Os colchões estão no chão da sala. Mamãe não sabe o que fazer com esse lugar. Os enfeites rústicos não combinam com o design clean. Ela está visivelmente frustrada e arrependida, queria ter comprado alguma coisa na Zona Sul. Quando ela teve dinheiro pra adquirir um imóvel em Copacabana por um preço bom, eu, que tinha 18 anos, a desencorajei porque gostava da Tijuca. Culpa eterna. Decidiu investir na Barra. A toa.
Interrompo o silêncio dizendo que vou comer queijo. Chamamos minha avó e então todas estão sentadas a mesa. Um principio de conversa se inícia. Minha irmã, no entanto, sem paciência nenhuma para confraternizar, se retira para preencher palavras cruzadas, mamãe sai pra ler mais um dos livros da Martha Medeiros que ela não termina e restamos eu e vovó, que me pergunta pela terceira vez o que vou fazer no ano-novo.
É meio dia. Não tem almoço. A comida de ontem não apetece. Alguém liga a televisão e vê um programa porcaria de domingo, onde toca Kenny G e uma banda de três irmãos feiosos, que fez sucesso há alguns anos, aparece cantando "Olhar 43" do RPM. Algumas mensagens de amor chegam pelo celular. Infeliz Natal.
sábado, 24 de dezembro de 2011
Odeio Natal.
Natal pra mim significa tudo o que eu sempre quis ter e não pude. Minha mãe não se dá bem com a família dela, então sempre passamos sozinhas. Minha avó, que se dá bem com a própria família, as vezes vem ficar com a gente, visivelmente contrariada por estar longe dos próprios irmãos e sobrinhos. Minha mãe e minha avó são pão duras envergonhadas e isso é a pior coisa porque tudo o que elas fazem sai pela metade. Tem bacalhau, mas não é gostoso, tem bolo sem recheio e arroz sem sal. Mamãe ri da oração de vovó antes do jantar, fingimos suportar a comida insossa e a falta de assunto. Eu tenho raiva de mamãe, que tem raiva de vovó, que também tem raiva de mamãe. Minha irmã e a cachorra não têm raiva de ninguém. As dez horas a mesa já está retirada e todas assistimos Zorra Total.
Quando eramos crianças, papai tinha uma namorada cuja família comemorava o Natal e ele sempre nos levava. Minha irmã detestava, mas eu tinha muita disposição pra me introsar. Abraçava parentes que não eram meus e ganhava presentes no amigo oculto de desconhecidos. A casa ficava cheia e as vezes tinhamos que dormir na varanda. Eu adorava.
Depois papai se separou e nós começamos a ir pra casa do meu tio nessa data que existe pra ser feliz. Eram natais sinceros. Quando íamos para Corumbá, onde moram minhas tias paternas, também era bom e as comidas insuperáveis, mas o calor que faz no Centro Oeste em dezembro e o preço alto da passagem, além da dificuldade de acesso a capital do Pantanal, que nos faz ter que viajar com escravos bolivianos, desanimam.
Já passamos o Natal com a família da nova mulher do meu pai. Tudo lindo, mas não tenho mais disponibilidade para desconhecidos pouco interessantes. Acho tudo um saco. Ficamos com mamãe, portanto, e olha, como é ruim! Sinto vontade de ter uma família feliz, que se abrace e troque presentes, com comidas gostosas e assuntos infindáveis, mas aqui em casa é o contrário. Sei que é uma data construída, mas gostaria de fazer parte do espírito de união que ela propõe. Sou recalcada por não ter nada disso.
É provável que eu não tenha filhos, que não me case nos moldes tradicionais e que essa data seja sempre essa grande merda. Triste.
Quando eramos crianças, papai tinha uma namorada cuja família comemorava o Natal e ele sempre nos levava. Minha irmã detestava, mas eu tinha muita disposição pra me introsar. Abraçava parentes que não eram meus e ganhava presentes no amigo oculto de desconhecidos. A casa ficava cheia e as vezes tinhamos que dormir na varanda. Eu adorava.
Depois papai se separou e nós começamos a ir pra casa do meu tio nessa data que existe pra ser feliz. Eram natais sinceros. Quando íamos para Corumbá, onde moram minhas tias paternas, também era bom e as comidas insuperáveis, mas o calor que faz no Centro Oeste em dezembro e o preço alto da passagem, além da dificuldade de acesso a capital do Pantanal, que nos faz ter que viajar com escravos bolivianos, desanimam.
Já passamos o Natal com a família da nova mulher do meu pai. Tudo lindo, mas não tenho mais disponibilidade para desconhecidos pouco interessantes. Acho tudo um saco. Ficamos com mamãe, portanto, e olha, como é ruim! Sinto vontade de ter uma família feliz, que se abrace e troque presentes, com comidas gostosas e assuntos infindáveis, mas aqui em casa é o contrário. Sei que é uma data construída, mas gostaria de fazer parte do espírito de união que ela propõe. Sou recalcada por não ter nada disso.
É provável que eu não tenha filhos, que não me case nos moldes tradicionais e que essa data seja sempre essa grande merda. Triste.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Fim de caso
Muito tempo depois do nosso último encontro, nessa quinta feira a noite, em frente ao cinema onde nos beijamos pela primeira vez, estava eu no telefone com meu novo amor, esperando uma amiga pra ir jantar na Lapa, quando o vi se aproximando.
Mesmos olhos, gestos e voz. Olhei pra ele, interrompi a conversa no telefone, demos aqueles os dois beijinhos de praxe, ele comentou que eu estou loira e também começou a falar no telefone. Avistei minha amiga, fui em direção a ela, ele também encontrou um amigo e só. Nenhuma discussão ou mágoa.
Meu pai dizia que o castivo vem a cavalo. Eu digo que a indiferença também. Estou comendo o prato frio de quem não se importa mais. Quando sentei e raciocinei sobre o encontro, me dei conta de que me sinto completa com o homem com quem estou agora e que hoje é aniversário desse outro. Tive pena dele, que estava ali sozinho, em plenas bodas de talento e tristeza, pensei até em mandar uma mensagem desejando felicidades, mas decidi que ele não é mais problema meu.
Acabou.
Mesmos olhos, gestos e voz. Olhei pra ele, interrompi a conversa no telefone, demos aqueles os dois beijinhos de praxe, ele comentou que eu estou loira e também começou a falar no telefone. Avistei minha amiga, fui em direção a ela, ele também encontrou um amigo e só. Nenhuma discussão ou mágoa.
Meu pai dizia que o castivo vem a cavalo. Eu digo que a indiferença também. Estou comendo o prato frio de quem não se importa mais. Quando sentei e raciocinei sobre o encontro, me dei conta de que me sinto completa com o homem com quem estou agora e que hoje é aniversário desse outro. Tive pena dele, que estava ali sozinho, em plenas bodas de talento e tristeza, pensei até em mandar uma mensagem desejando felicidades, mas decidi que ele não é mais problema meu.
Acabou.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
humildade
A verdade é que eu morro de medo de estar fazendo a escolha errada. No fundo eu sei, e é isso que dói, que não existem pessoas ruins: os homens que me fizeram sofrer, os professores que me desprezaram, a diretora de Seropédica, George Bush e Thereza Cristina. Todos têm amor no coração, dormem e acordam cheios de objetivos todos os dias e quando falham, pensam como eu, que sair da linha só um pouquinho não é imperdoável.
Meus pecados latejam na minha mente. Tenho medo de parecer incompetente e de não ter mais credibilidade. Gostaria que só as minhas boas ações reconhecidas. Todos gostaríamos.
Meus pecados latejam na minha mente. Tenho medo de parecer incompetente e de não ter mais credibilidade. Gostaria que só as minhas boas ações reconhecidas. Todos gostaríamos.
Assinar:
Postagens (Atom)
