Sou uma pessoa que acorda cedo. Sempre foi assim. Acordo e penso na vida. Quando havia rádio Cidade ou Oi fm eu ligava o rádio. Depois passei a ligar a TV e assistia o Globo Rural, depois o RJ TV e o Bom dia Brasil, mas a TV do meu quarto deu defeito. Agora eu acordo e ligo o computador.
Como meu sucrilhos de café da manhã em frente ao computador, lendo sobre a vida de todas as pessoas que o Facebook me permite. Demoro muito para engrenar o dia. Tomar banho, ler, ir à feira...tudo isso leva mais tempo do que o normal. É como se por ter acordado cedo eu tivesse o direito de ser devagar.
Recentemente entendi que preciso me conformar em ser mediocre. Não completamente mediocre, só um pouco. Isso de querer ser a melhor faz a gente sofrer demais. E esse aprendizado é difícil. Fui criada com uma mentalidade que ambiciona o destaque: não reclamar, não faltar e não desobedecer. Mas entendi, com a idade, que ser assim não tráz felicidade. Me dou ao direito de faltar, de reclamar e de desobedecer. Me permito ser devagar.
Vejo as pessoas cheias de objetivos traçados para daqui a dez anos. Vejo as pessoas invertendo a ordem da realidade só para poder caber nela. Acho isso tudo muito chato.
Minhas circunstâncias são mais fortes do que eu. E eu gosto de ser assim.
quinta-feira, 30 de agosto de 2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
As atividades acadêmicas não têm me mobilizado. Não quero escrever artigos, trabalhos finais e relatórios. Estou num momento de cotemplação e transformação de ideias. Curar a micose das unhas dos pés, mudar a alimentação, ler literatura, ver novela, namorar, caminhar no Aterro do Flamengo no domingo de sol (sou tijucana e nunca tinha feito isso), assistir vídeos do Marcelo Freixo explicando suas propostas e fazer companhia a miha cachorra têm sido meus afazeres favoritos. Sou improdutiva quando estou feliz. Isso vai mudar.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Gabriela e o mundo proibido.
Estou lendo "Gabriela". Toquei o foda-se para os trabalhos finais das disciplinas do mestrado. Férias devem ser férias e não serei eu que vou subverter isso. Se as pessoas leêm mil textos a cada sábado, se dormem duas horas por noite, se se tornam melhores amigas das garrafas térmicas de café, fico (in)feliz por elas. Eu ainda não estou assim. Sei que esse momento chegará, mas não é agora. Agora não dá.
Agora decidi ler "Gabriela". Pensei em ler faz algum tempo. Pensei que devia ser uma história bonita. Não quis que a novela fosse exibida sem que eu tivesse lido o livro. Comprei no sábado, primeiro dia de recesso libertário, comecei a ler no domingo e não desgrudei mais da história. Ocorre que Gabriela não é só a história da morena bonita que conquista o patrão. Ela é só um enfeite. O livro fala mesmo sobre um mundo em decadência, dos coronéis, de mortes inexplicadas, cidades pequenas, trabalho semi-escravos, prostitutas felizes e esposas tristes; em conflito com a modernidade (tudo que e´sólido desmancha no ar) dos grandes investidores, do apreço a lei, das mulheres livres e da nova noção de honestidade.
O caso de Gabriela todo mundo conhece. O passarinho que canta bonito na árvore, mas que se entristece na gaiola, a mulher sem ambição, a disponibilidade total para servir sem que isso a torne passiva. Disso todos já sabemos faz tempo. O que surpreende é o embate entre o coronel Ramiro Bastos, que é obrigado a assistir seu reinado desabar, e o exportador carioca Mundinho Falcão, homem ousado e esperto, expoente do desenvolvimento. E fazem palpitar o coração, as histórias de Malvina, mulher de caráter, e de Sinhazinha, apaixonada pelo dentista.
Quanto prazer este livro está me dando! Lê-lo tem tido um sabor de renovação e crescimento que não senti o ano inteiro com os textos da faculdade. Me sinto na inquisição, lendo livros do Index. Não me arrependo.
Agora decidi ler "Gabriela". Pensei em ler faz algum tempo. Pensei que devia ser uma história bonita. Não quis que a novela fosse exibida sem que eu tivesse lido o livro. Comprei no sábado, primeiro dia de recesso libertário, comecei a ler no domingo e não desgrudei mais da história. Ocorre que Gabriela não é só a história da morena bonita que conquista o patrão. Ela é só um enfeite. O livro fala mesmo sobre um mundo em decadência, dos coronéis, de mortes inexplicadas, cidades pequenas, trabalho semi-escravos, prostitutas felizes e esposas tristes; em conflito com a modernidade (tudo que e´sólido desmancha no ar) dos grandes investidores, do apreço a lei, das mulheres livres e da nova noção de honestidade.
O caso de Gabriela todo mundo conhece. O passarinho que canta bonito na árvore, mas que se entristece na gaiola, a mulher sem ambição, a disponibilidade total para servir sem que isso a torne passiva. Disso todos já sabemos faz tempo. O que surpreende é o embate entre o coronel Ramiro Bastos, que é obrigado a assistir seu reinado desabar, e o exportador carioca Mundinho Falcão, homem ousado e esperto, expoente do desenvolvimento. E fazem palpitar o coração, as histórias de Malvina, mulher de caráter, e de Sinhazinha, apaixonada pelo dentista.
Quanto prazer este livro está me dando! Lê-lo tem tido um sabor de renovação e crescimento que não senti o ano inteiro com os textos da faculdade. Me sinto na inquisição, lendo livros do Index. Não me arrependo.
sábado, 14 de julho de 2012
O inferno são os outros.
Para quem são nossas fotos no Facebook? Quando emagrecemos, fazemos isso por nós ou pelos outros? E quando passamos batom?
Se não houvesse os outros, certamente seríamos mais verdadeiros e felizes, mas não conhecemos a vida sem eles.
Os outros estão sempre lá, analisando nossos passos, sendo expectadores da luta e da tragédia. Eles desconfiam tanto da legitimidade das nossas ações que nós começamos a agir de forma a persuadi-los de que tudo em nós é impecável. Ah, os outros... Nascemos deles, como fugir?
Damos tantas satisfações aos outros que quando deitamos na cama nos resta dormir para não haver questionamento sobre o que, de fato, nos pertence.
Um dia, quando formos velhos e pudermos ser apenas o que somos, sem amarras e rodeios, talvez consigamos enxergar que uma vida de sinceridade teria sido muito mais bonita de se recordar e nos daremos conta do quanto fomos bestas.
Se não houvesse os outros, certamente seríamos mais verdadeiros e felizes, mas não conhecemos a vida sem eles.
Os outros estão sempre lá, analisando nossos passos, sendo expectadores da luta e da tragédia. Eles desconfiam tanto da legitimidade das nossas ações que nós começamos a agir de forma a persuadi-los de que tudo em nós é impecável. Ah, os outros... Nascemos deles, como fugir?
Damos tantas satisfações aos outros que quando deitamos na cama nos resta dormir para não haver questionamento sobre o que, de fato, nos pertence.
Um dia, quando formos velhos e pudermos ser apenas o que somos, sem amarras e rodeios, talvez consigamos enxergar que uma vida de sinceridade teria sido muito mais bonita de se recordar e nos daremos conta do quanto fomos bestas.
sábado, 30 de junho de 2012
Vida saudável compulsória
Parei de tomar refrigerante e suco de caixinha ou em lata. Não como mais no Mc Donald's, que sempre foi uma referência de lugar feliz. Guaraná Antártica diet, zero ou light também faziam parte do meu cotidiano. Meus 27 anos levaram tudo isso ao me trazer uma insuportável consciência de vida saudável.
Estou de dieta. Ontem tinha cachorro quente na escola e eu resisti. Anoto tudo o que como. Comprei um pão de seis e cinquenta no Mundo Verde e tenho bebido água com gás de manhã.
Essas decisões têm a ver com o que eu quero pra mim no futuro. Minha orientadora há pouco tempo me recomendou ter cuidado para não me tornar uma velha obesa. Mamãe me acha obesa desde que eu nasci. Papai ofereceu pagar o Vigilantes do peso pra mim e vovó sempre se dispõe a financiar algum tipo de tratamento para emagrecer. Chega. Tomei a causa pra mim. E a causa não é ser magra. Ser magra é a consequência. O que me fez decidir adotar essa nova filosofia de alimentação foi a minha enorme vontade de ser feliz, de nunca mais ouvir esse tipo de coisa e de aparecer de biquini em fotos com tranquilidade. Ainda não consegui voltar para a academia, mas pretendo fazê-lo em breve. Gostaria também de fazer pilates, yoga ou qualquer coisa do tipo. Não fumo e bebo bem pouco. Acho que ainda está em tempo de eu assegurar que minha velhice não seja um tempo de tristezas. Quando eu for velhinha, quero ir todos os dias ao cinema. Vai ser lindo.
Estou de dieta. Ontem tinha cachorro quente na escola e eu resisti. Anoto tudo o que como. Comprei um pão de seis e cinquenta no Mundo Verde e tenho bebido água com gás de manhã.
Essas decisões têm a ver com o que eu quero pra mim no futuro. Minha orientadora há pouco tempo me recomendou ter cuidado para não me tornar uma velha obesa. Mamãe me acha obesa desde que eu nasci. Papai ofereceu pagar o Vigilantes do peso pra mim e vovó sempre se dispõe a financiar algum tipo de tratamento para emagrecer. Chega. Tomei a causa pra mim. E a causa não é ser magra. Ser magra é a consequência. O que me fez decidir adotar essa nova filosofia de alimentação foi a minha enorme vontade de ser feliz, de nunca mais ouvir esse tipo de coisa e de aparecer de biquini em fotos com tranquilidade. Ainda não consegui voltar para a academia, mas pretendo fazê-lo em breve. Gostaria também de fazer pilates, yoga ou qualquer coisa do tipo. Não fumo e bebo bem pouco. Acho que ainda está em tempo de eu assegurar que minha velhice não seja um tempo de tristezas. Quando eu for velhinha, quero ir todos os dias ao cinema. Vai ser lindo.
domingo, 3 de junho de 2012
A namorada.
Namorada é aquela que passa a noite sozinha no ônibus pra ver o amor recente que mora em outra cidade. Toma cerveja só pra fazer companhia, deixa de assistir a novela porque ele não gosta e ri junto durante as reprises de TV Pirata. Deixa ele esperando quando entra numa loja legal e se descobre um restaurante novo, conta toda contente.
Arruma as roupas, dobra tudo direitinho e faz a cama, crente que está resolvendo a vida dele, mas quando volta lá e vê tudo bagunçado de novo, desiste de querer botar ordem naquele espaço que por enquanto não é dela. Por enquanto sim, porque a namorada quer morar com o namorado e quer ser mulher dele. E aí sim, as roupas vão ficar definitivamente organizadas e os quadros pregados na parede.
Ela adora café da manhã no sofá vendo Globonews pra se atualizar sobre o mundo real porque a casa do namorado é um mundo encantado e dói muito voltar de lá. E adora quando ele compra um vinho, está frio e tem queijo na geladeira, é lindo, mas rapidamente ela sente falta de uma Coca Zero pra matar a sede.
Namorada é chata. Olha o e-mails dele escondida, descobre que a ex escreveu e dá um escândalo. Telefona de madrugada e diz que está preocupada com a segurança dele, mas é mentira, ela quer controlar tudo porque no fundo é obcessiva, mas sabe fingir direitinho que é normal. Fica até em paz no sábado de madrugada ouvindo Caetano Veloso, só de calcinha, sentadinha na cama e sente muita saudade.
Não tem paciência para explicar todos os seus conflitos a ele mais de uma vez. Quando percebe que ele não prestou atenção em alguma história, faz uma cara muito feia e suspira bem forte, parecendo um búfalo.
Demora meses até ir à casa dos pais do namorado e, quando os conhece, adora, mas fica com vergonha de demorar no banheiro enquanto está lá.
Tem pavor de se parecer com as outras porque quer ser mais especial, delicada, livre, cheirosa, macia, jovem, forte, esperta, compreensiva, e principalmente: mais gostosa. Quer ser pra sempre, quer que ele ligue, quer passear de dia e deitar pertinho a noite.
Agora ela quer ir de avião pra chegar mais rápido, mas precisa do cartão de crédito dele para pagar as passagens. É chorona e gosta de conversar à noite, acordando ele de madrugada nos momentos de insônia.
Não quer ser mãe, nem faz questão de protocolos, mas se emociona com vestidos de noiva e filmes de amor. É neurótica a namorada, imagina que a qualquer momento outra mocinha vai aparecer e tirar o que é dela, pois é muito bom pra ser verdade que ele seja dela. Fica aliviada quando ele diz que a ama.
Apaixonada, escolheu ser namorada e é plena em sua condição, até nos momentos de insegurança. Nada pode ser mais importante do que ela.
Arruma as roupas, dobra tudo direitinho e faz a cama, crente que está resolvendo a vida dele, mas quando volta lá e vê tudo bagunçado de novo, desiste de querer botar ordem naquele espaço que por enquanto não é dela. Por enquanto sim, porque a namorada quer morar com o namorado e quer ser mulher dele. E aí sim, as roupas vão ficar definitivamente organizadas e os quadros pregados na parede.
Ela adora café da manhã no sofá vendo Globonews pra se atualizar sobre o mundo real porque a casa do namorado é um mundo encantado e dói muito voltar de lá. E adora quando ele compra um vinho, está frio e tem queijo na geladeira, é lindo, mas rapidamente ela sente falta de uma Coca Zero pra matar a sede.
Namorada é chata. Olha o e-mails dele escondida, descobre que a ex escreveu e dá um escândalo. Telefona de madrugada e diz que está preocupada com a segurança dele, mas é mentira, ela quer controlar tudo porque no fundo é obcessiva, mas sabe fingir direitinho que é normal. Fica até em paz no sábado de madrugada ouvindo Caetano Veloso, só de calcinha, sentadinha na cama e sente muita saudade.
Não tem paciência para explicar todos os seus conflitos a ele mais de uma vez. Quando percebe que ele não prestou atenção em alguma história, faz uma cara muito feia e suspira bem forte, parecendo um búfalo.
Demora meses até ir à casa dos pais do namorado e, quando os conhece, adora, mas fica com vergonha de demorar no banheiro enquanto está lá.
Tem pavor de se parecer com as outras porque quer ser mais especial, delicada, livre, cheirosa, macia, jovem, forte, esperta, compreensiva, e principalmente: mais gostosa. Quer ser pra sempre, quer que ele ligue, quer passear de dia e deitar pertinho a noite.
Agora ela quer ir de avião pra chegar mais rápido, mas precisa do cartão de crédito dele para pagar as passagens. É chorona e gosta de conversar à noite, acordando ele de madrugada nos momentos de insônia.
Não quer ser mãe, nem faz questão de protocolos, mas se emociona com vestidos de noiva e filmes de amor. É neurótica a namorada, imagina que a qualquer momento outra mocinha vai aparecer e tirar o que é dela, pois é muito bom pra ser verdade que ele seja dela. Fica aliviada quando ele diz que a ama.
Apaixonada, escolheu ser namorada e é plena em sua condição, até nos momentos de insegurança. Nada pode ser mais importante do que ela.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Ida à psiquiatra.
No último domingo, quando voltei da casa do meu namorado e sentei em frente ao computador para fazer todas as minhas tarefas, tive um surto. Me desesperei, comecei a chorar, senti dores no corpo e tremedeiras. Travei e não consegui resolver nada. Também não consegui dormir bem e na segunda-feira de manhã acordei pior, muito triste, com vontade de morrer e sem saber como fazer tanta coisa.
Saí para o trabalho, almocei, dei minhas aulas, enfrentei a fraqueza e a dor de cabeça, e vim embora. Quando estava na escola, a tarde, tomei a decisão de marcar uma consulta com a mesma psiquiatra que tratou da minha irmã há uns anos atrás. Marquei para terça mesmo.
Acordei ainda mal, fui para a aula do mestrado, almocei com duas amigas, peguei o metrô até Copacabana e as 14 horas estava lá, pronta para soluções instantâneas.
Foram duas horas e alguns minutos de consulta. Eu contei a ela a história da minha escolha profissional, da minha trajetória de trabalho, das escolas, do mestrado, do cansaço, da falta de dinheiro, da minha mãe que joga na minha cara que sempre me avisou que professor ganha pouco, das minhas noites mal dormidas, das dores no corpo e etc.
Foi então que ela me disse que o nosso corpo não aceita os esforços que não considera legítimos e que não me receitaria nenhum remédio, que eu tenho que mudar a minha vida. Ela me explicou que o investimento emocional e financeiro que eu faria em um remédio seria muito alto e não transformaria em nada a rotina, que o que eu preciso é me sentir amparada e compreendida e que nenhum remédio traz essa sensação. E disse ainda que eu não deveria tentar me enganar, que se eu não tivesse coragem de mudar a minha vida e fazer escolhas, continuaria me dando pela metade a todas as minhas atividades e que isso não seria problema nenhum se não me causasse sofrimento, mas já que causa, é preciso arranjar outra estratégia. Quando eu disse a ela que não consigo estudar com a cabeça cheia, ela falou que estudar é sempre á última coisa, justamente por ser a mais importante. Para estudar, é preciso ter a cabeça tranquila e os problemas resolvidas. Ou seja: sem paz de espírito, nada feito. E se há pessoas que funcionam de forma diferente, não é necessária a comparação. Eu sou eu e o inferno são os outros.
Saí de lá pensando nas minhas três atividades predominantes: Mestrado, que não é o que me sustenta financeiramente, mas é a minha prioridade, não sei se por intuição, amor, ou vaidade, escola do estado, que é longe e paga mal, mas cobra pouco e me permite uma maior flexibilidade para faltar quando há simpósios ou congressos, além de ser um lugar onde eu já me habituei a ir, fiz amigos e desenvolvi relações de carinho com os estudantes. E por último vem a escola particular, que me paga muito bem e é mais perto da minha casa, mas que me cobra MUITO, apesar de ter alunos super inteligentes e de valorizar os professores que se especializam. Me sinto bem nos dois lugares e sofreria para sair de ambos.
Ainda não sei bem o que fazer, mas estou tendendo a deixar a escola particular.
Estou mais calma. Fiquei feliz de a médica ter dito que eu não tenho nenhuma desconpensação hormonal e que a mudança está nas minhas mãos.
E me lembrei de um professor de Economia que eu tive no segundo período da faculdade que nos ensinou sobre o "custo de oportunidade", que é o valor de se fazer uma escolha. Quando deixamos de ir a praia para ir a uma aula, nunca saberemos o quanto teria sido bom ou ruim a praia. E vice-versa. Acho que a vida é isso. Nunca vamos saber o que é melhor ou não, mas temos que ter coragem para arriscar. É isso que nos leva pra frente.
Saí para o trabalho, almocei, dei minhas aulas, enfrentei a fraqueza e a dor de cabeça, e vim embora. Quando estava na escola, a tarde, tomei a decisão de marcar uma consulta com a mesma psiquiatra que tratou da minha irmã há uns anos atrás. Marquei para terça mesmo.
Acordei ainda mal, fui para a aula do mestrado, almocei com duas amigas, peguei o metrô até Copacabana e as 14 horas estava lá, pronta para soluções instantâneas.
Foram duas horas e alguns minutos de consulta. Eu contei a ela a história da minha escolha profissional, da minha trajetória de trabalho, das escolas, do mestrado, do cansaço, da falta de dinheiro, da minha mãe que joga na minha cara que sempre me avisou que professor ganha pouco, das minhas noites mal dormidas, das dores no corpo e etc.
Foi então que ela me disse que o nosso corpo não aceita os esforços que não considera legítimos e que não me receitaria nenhum remédio, que eu tenho que mudar a minha vida. Ela me explicou que o investimento emocional e financeiro que eu faria em um remédio seria muito alto e não transformaria em nada a rotina, que o que eu preciso é me sentir amparada e compreendida e que nenhum remédio traz essa sensação. E disse ainda que eu não deveria tentar me enganar, que se eu não tivesse coragem de mudar a minha vida e fazer escolhas, continuaria me dando pela metade a todas as minhas atividades e que isso não seria problema nenhum se não me causasse sofrimento, mas já que causa, é preciso arranjar outra estratégia. Quando eu disse a ela que não consigo estudar com a cabeça cheia, ela falou que estudar é sempre á última coisa, justamente por ser a mais importante. Para estudar, é preciso ter a cabeça tranquila e os problemas resolvidas. Ou seja: sem paz de espírito, nada feito. E se há pessoas que funcionam de forma diferente, não é necessária a comparação. Eu sou eu e o inferno são os outros.
Saí de lá pensando nas minhas três atividades predominantes: Mestrado, que não é o que me sustenta financeiramente, mas é a minha prioridade, não sei se por intuição, amor, ou vaidade, escola do estado, que é longe e paga mal, mas cobra pouco e me permite uma maior flexibilidade para faltar quando há simpósios ou congressos, além de ser um lugar onde eu já me habituei a ir, fiz amigos e desenvolvi relações de carinho com os estudantes. E por último vem a escola particular, que me paga muito bem e é mais perto da minha casa, mas que me cobra MUITO, apesar de ter alunos super inteligentes e de valorizar os professores que se especializam. Me sinto bem nos dois lugares e sofreria para sair de ambos.
Ainda não sei bem o que fazer, mas estou tendendo a deixar a escola particular.
Estou mais calma. Fiquei feliz de a médica ter dito que eu não tenho nenhuma desconpensação hormonal e que a mudança está nas minhas mãos.
E me lembrei de um professor de Economia que eu tive no segundo período da faculdade que nos ensinou sobre o "custo de oportunidade", que é o valor de se fazer uma escolha. Quando deixamos de ir a praia para ir a uma aula, nunca saberemos o quanto teria sido bom ou ruim a praia. E vice-versa. Acho que a vida é isso. Nunca vamos saber o que é melhor ou não, mas temos que ter coragem para arriscar. É isso que nos leva pra frente.
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