No "Encontros e desencontros" tem um diálogo que o Bill Murray explica para a Scarlet Johanson que quando você sabe quem você é e o que você quer a vida fica mais fácil. Hoje eu pensei muito nisso. Eu sei o que eu não quero e consigo dizer que sou Tijucana, historiadora, que gosto de rock e de homens com barba, mas é só. Pode ser que amanhã eu decida ir salvar as baleias em Abrolhos ou que eu resolva me tronar atendente de Tele-sexo. Os nãos que eu digo são de verdade, as lágrimas desse ano inteiro, uma por uma, existiram. Mas eu tenho a impressão de que a forma de eu enxergar os fatos é deturpada. Eu exagero.
A Ivone chorando na novela, "Os Normais 2" no cinema, o bloco de Carnaval fora de época e o almoço de hoje com um homem me propondo amor eterno, isso tudo me toca. Acho que até a nova novela do Manoel Carlos pode me emocionar. Adoro cafonices.
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
domingo, 30 de agosto de 2009
Desalento.
Em cada e-mail que eu te mandava havia vinte deixados pra trás. É dele esta frase. Foi dele a minha tarde ensolarada de domingo. Ele foi a parte que me coube neste latifundio de poucas glórias, de terças-feiras de verão e de poemas escancarados. Eu hoje me sinto tão exposta diante de você que passo a achar que até o meu perfume te enjoa. Eu tenho náuseas de mim. E ele, as palavras dele, a tristeza dele e as músicas dele me acolheram assim, sem pedir explicações, com carinho domado, com respostas atentas e precisas. Eu, ele e a saudade saímos pra dançar hoje. Samba, sabe? Eu, ele e o olhar carente dele ficamos ali tomando casquinha de baunilha enquanto o mundo era feliz. Ah, por que eu fui me encantar? Por que eu fui te escolher? Era a marca de batom vermelho, caro e vulgar no copo de vidro de um bar da Lapa. Eu não sei se é minha a marca. O dono do copo não é mais meu.
Eu e o ele vamos sair para tomar suco e para conversar sobre essas dores que os outros não sentem e sobre as paixões que não passam. Ah, como eu queria te perdoar...
Eu e o ele vamos sair para tomar suco e para conversar sobre essas dores que os outros não sentem e sobre as paixões que não passam. Ah, como eu queria te perdoar...
Quadrilha.
Eu sempre achei que o arroz da minha mãe era o mais gostoso do mundo. Pra mim ninguém sabia fazer arroz do jeito que ela faz e por essa razão raramente eu como arroz fora de casa. Um dia, no entanto eu experimentei o arroz da atual mulher do meu pai e vi que é igual ao da minha mãe. Fiquei pensando que isso é muito injusto. Eu gosto muito da mulher do meu pai, mas o arroz dela ser igual ao da minha mãe faz com que as pessoas sejam substituíveis e eu não sei lidar com isso.
Ontem eu vi esse filme novo com o Joaquin Phoenix, "Amantes", que fala exatamente sobre isso. O rapaz tem no seu horizonte duas mulheres, a vizinha problemática que tem um caso com um homem casado e um pai maluco e a filha de um casal amigo da família que é super ajuizada e louca por ele. É claro que é com a desequilibrada que ele quer ficar. É por ela que ele larga tudo e perto dela a outra, os presentes da outra, os cabelos bonitos da outra, as frases delicadas e o carinho se tornam irrelevantes. Só que a número 1 não gosta dele. Ela deixa ele na rua da Amargura e depois de quase tentar morrer afogado (como a Ofélia de Hamlet não era necessário mais água porque já havia lágrima suficiente) a segunda opção se torna plausivel.
A segunda pior coisa do mundo é ser o Plano B de alguém. E primeira pior é estar com alguém que é o Plano B. Estar com o Plano B significa que quando você vai dormir ficam latejando as angustias causadas pela rejeição do Plano A. Significa viver uma mentira que quando vier a tona vai distribuir mágoas para todos os lados. E o que é mais difícil, significa que todo aquele amor que o Plano B sente por você é desperdicio. Aquele dia que ele estava bonito, a noite de amor sincero e os elogios gostosos de ouvir são a toa. Ninguém esquece o Plano B, não é isso. O problema é que, pelo menos comigo, eles perdem a ultilidade. E aí eu não sei ir embora. Ninguém vai embora impunemente. Eu, uma vez tentei ser honesta. Sentei com o rapaz no CCBB em tarde de estréia da peça do Sérgio Brito sobre o Jung e falei que não queria mais. Chorei horrores, ele também e pronto, acabou. Ele me odeia até hoje. Da outra vez eu fui embora aos poucos, dando sinais, parando de ver e não dizendo mais que amava. Óbviamente no dia que ele entendeu o recado o desastre se deu, mas não havia mais o que fazer. Tem pessoas que mandam e-mails, outras param de atender o telefone e tem umas que inventam doenças na família.
E assim os Planos B se perpetuam e grandes paixões viram músicas tristes.
Ontem eu vi esse filme novo com o Joaquin Phoenix, "Amantes", que fala exatamente sobre isso. O rapaz tem no seu horizonte duas mulheres, a vizinha problemática que tem um caso com um homem casado e um pai maluco e a filha de um casal amigo da família que é super ajuizada e louca por ele. É claro que é com a desequilibrada que ele quer ficar. É por ela que ele larga tudo e perto dela a outra, os presentes da outra, os cabelos bonitos da outra, as frases delicadas e o carinho se tornam irrelevantes. Só que a número 1 não gosta dele. Ela deixa ele na rua da Amargura e depois de quase tentar morrer afogado (como a Ofélia de Hamlet não era necessário mais água porque já havia lágrima suficiente) a segunda opção se torna plausivel.
A segunda pior coisa do mundo é ser o Plano B de alguém. E primeira pior é estar com alguém que é o Plano B. Estar com o Plano B significa que quando você vai dormir ficam latejando as angustias causadas pela rejeição do Plano A. Significa viver uma mentira que quando vier a tona vai distribuir mágoas para todos os lados. E o que é mais difícil, significa que todo aquele amor que o Plano B sente por você é desperdicio. Aquele dia que ele estava bonito, a noite de amor sincero e os elogios gostosos de ouvir são a toa. Ninguém esquece o Plano B, não é isso. O problema é que, pelo menos comigo, eles perdem a ultilidade. E aí eu não sei ir embora. Ninguém vai embora impunemente. Eu, uma vez tentei ser honesta. Sentei com o rapaz no CCBB em tarde de estréia da peça do Sérgio Brito sobre o Jung e falei que não queria mais. Chorei horrores, ele também e pronto, acabou. Ele me odeia até hoje. Da outra vez eu fui embora aos poucos, dando sinais, parando de ver e não dizendo mais que amava. Óbviamente no dia que ele entendeu o recado o desastre se deu, mas não havia mais o que fazer. Tem pessoas que mandam e-mails, outras param de atender o telefone e tem umas que inventam doenças na família.
E assim os Planos B se perpetuam e grandes paixões viram músicas tristes.
sábado, 29 de agosto de 2009
Sem cais
São sete horas da manhã de um sábado que não promete aleluias. É um tempo que não passa. A bagunça do coração do outro me fez de tonta e agora eu sou uma ladainha que grita, chora e fala baixinho. Eu me perdi.
Acordei com a certeza da dieta e já estou com vontade de comer besteira. Fico me imaginando magra assim como a Cristiane F. se imaginava livre das drogas e feliz, como a menina do comercial da Coca-Cola. O Caetano no rádio me ajuda. A gente inventa pessoas, criamos toda uma redoma pra elas e ficamos ouvindo resignados os apelos banais dos outros. Eu sinto inveja, preciso admitir. Todo aquele papinho de contar a vida inteira em duas horas e de mexer no cabelo pra fazer charme. Ah, que falta isso faz...
Esses assuntos de Revolução, pós-graduação e o caos do mundo não são para os primeiros encontros e talvez não sejam nem para os últimos. O negócio é falar daquela música do verão passado, do filme que te deixou estatelado na cadeira do cinema ou de como o Gilberto Braga foi injusto com a Bebel e com o Olavo no último capítulo de Paraíso Tropical, o que só reafirma a falta de habilidade dele para dar fim as boas histórias que sabe contar. Dá pra falar de futebol também, da situação deveras periclitante do Flamengo e daquele jogo da Copa de 2006 que o goleiro de Portugal virou atacante. Meu pai sempre diz pra não confiar em homem que não gosta de futebol.
Eu me cansei de discutir a falta de ética dos senadores. Pra mim somos todos iguais. Eu e você lá, muito provavelmente, não sairíamos impunes. Quero falar das minhas novas experiências na cozinha e de como aquela sombra que eu passei ontem ficou bem em mim. Citar autores, só depois de umas cinco caipirinhas. Marx só depois de oito.
Ah, a luta de classes...
Acordei com a certeza da dieta e já estou com vontade de comer besteira. Fico me imaginando magra assim como a Cristiane F. se imaginava livre das drogas e feliz, como a menina do comercial da Coca-Cola. O Caetano no rádio me ajuda. A gente inventa pessoas, criamos toda uma redoma pra elas e ficamos ouvindo resignados os apelos banais dos outros. Eu sinto inveja, preciso admitir. Todo aquele papinho de contar a vida inteira em duas horas e de mexer no cabelo pra fazer charme. Ah, que falta isso faz...
Esses assuntos de Revolução, pós-graduação e o caos do mundo não são para os primeiros encontros e talvez não sejam nem para os últimos. O negócio é falar daquela música do verão passado, do filme que te deixou estatelado na cadeira do cinema ou de como o Gilberto Braga foi injusto com a Bebel e com o Olavo no último capítulo de Paraíso Tropical, o que só reafirma a falta de habilidade dele para dar fim as boas histórias que sabe contar. Dá pra falar de futebol também, da situação deveras periclitante do Flamengo e daquele jogo da Copa de 2006 que o goleiro de Portugal virou atacante. Meu pai sempre diz pra não confiar em homem que não gosta de futebol.
Eu me cansei de discutir a falta de ética dos senadores. Pra mim somos todos iguais. Eu e você lá, muito provavelmente, não sairíamos impunes. Quero falar das minhas novas experiências na cozinha e de como aquela sombra que eu passei ontem ficou bem em mim. Citar autores, só depois de umas cinco caipirinhas. Marx só depois de oito.
Ah, a luta de classes...
sexta-feira, 28 de agosto de 2009
E volta...
Hoje eu fui encontrar uns amigos quando saí do trabalho e tinha uma liquidação no meio do caminho. Entrei, lógico. Gastei, lógico. Fomos ao Mc Donald's e eu comi uma promoção do Cheddar. Engordei, lógico.
De lá nós fomos para uma festinha no sindicato dos bancários que era igual ao Petisco da Velha do Lineu da Grande Família, sem tirar nem por. Fui me sentindo cada vez mais feia e quis ir embora. Me despedi das pessoas e fui esperar o elevador. Veio um rapaz perguntar se eu já ia embora, disse que nem deu tempo de a gente se conhecer... Peguei o 415 e vim pra casa. Preciso emagrecer. Preciso pertencer ao mundo encantado da pegação. Preciso me sentir desejada.
De lá nós fomos para uma festinha no sindicato dos bancários que era igual ao Petisco da Velha do Lineu da Grande Família, sem tirar nem por. Fui me sentindo cada vez mais feia e quis ir embora. Me despedi das pessoas e fui esperar o elevador. Veio um rapaz perguntar se eu já ia embora, disse que nem deu tempo de a gente se conhecer... Peguei o 415 e vim pra casa. Preciso emagrecer. Preciso pertencer ao mundo encantado da pegação. Preciso me sentir desejada.
Garfield.
Passou a tarde inteira pintando os olhos. Queria ter almoçado num desses restaurantes a quilo que misturam comida japonesa com palmito pupunha, mas se contentou com o bife de alcatra com arroz que tinha em casa. O mar de sexta feira a tarde nunca está de ressaca. Queria estar na cozinha experimentando a versatilidade do iogurte natural. Passou pelo J. e não cumprimentou. Encontrou o M. com uma dita cuja. Sentiu ciúme. Já não conversa com N., nem escreve e-mails para R. ou H. Não tem assunto.
Do you need anybody?
I need somebody to love
Desistiu das dietas. Desistiu de caber no manequim 42. Desistiu de tirar fotos nua. Descobriu que todo aquele papo de seios perdidos no Largo do Machado é uma mentira e que o último rapaz que a amou intensamente agora tem um cachorro.
Can it be anybody?
I want somebody to love.
E até músicas do Skank ela pensa em cantar. Skank tem os seus momentos: "Assim ela já vai achar um cara que lhe queira, como você não quis fazer..."
E são flautas, amigos equivocados, transito, festinha do dia do bancário e o dia vazio.
How do i few by the end of the day? Are you sad because you're on your own?
Que tarde agradável, que vida merda...
Do you need anybody?
I need somebody to love
Desistiu das dietas. Desistiu de caber no manequim 42. Desistiu de tirar fotos nua. Descobriu que todo aquele papo de seios perdidos no Largo do Machado é uma mentira e que o último rapaz que a amou intensamente agora tem um cachorro.
Can it be anybody?
I want somebody to love.
E até músicas do Skank ela pensa em cantar. Skank tem os seus momentos: "Assim ela já vai achar um cara que lhe queira, como você não quis fazer..."
E são flautas, amigos equivocados, transito, festinha do dia do bancário e o dia vazio.
How do i few by the end of the day? Are you sad because you're on your own?
Que tarde agradável, que vida merda...
quinta-feira, 27 de agosto de 2009
Nada além do sociólogo charmoso.
Eu tenho a sensação constante de que eu sufoco algumas pessoas. Eu ligo na hora errada, faço perguntas inoportunas, falo de assuntos que já se esgotaram e ainda por cima deixo de ir quando eles me convidam pra uma coisa legal. É que eu estava cansada, não dormi direito na noite passada, acordei cedo, fiz uma prova trabalhosa de manhã, andei do Largo de São Francisco a Praça XV e da Praça XV até a Lapa, tive uma reunião de trabalho chatíssima e sentei por ali pra bater papo ao entardecer. Vim dormindo no 409, dormi quando cheguei em casa e só acordei pra ver a Maya vendando os olhos do Raj porque realmente essa novela está sensacional. Pra falar a verdade eu só tenho vontade de falar sobre isso, queria comentar cada personagem, mas eu acho que vou acabar me tornando repetitiva. Enfim, como eu poderia sair hoje depois de tantas coisas e com a Maya me esperando? Será que o meu amigo vai me perdoar pela inconveniência e pela ausência?
A propósito, fiz o meu melhor na prova de hoje. Vou dormir tranquila. Farei apenas mais um comentário: Um dos professores que faz parte da banca da seleção de mestrado que eu estou participando estava lá aplicando a prova. Ele é francês e fala português muito bem, mas com aquele sotaque parecido com o do Vicente Cassel, que meu Deus! Ele é magro, usa um óculos charmosíssimo e estava de camisa pra dentro. Um homem pra ficar bem de camisa pra dentro tem que ser um espetáculo mesmo. Foi inspirador. Eu posso até não passar no mestrado, mas nunca vou me esquecer dele.
A propósito, fiz o meu melhor na prova de hoje. Vou dormir tranquila. Farei apenas mais um comentário: Um dos professores que faz parte da banca da seleção de mestrado que eu estou participando estava lá aplicando a prova. Ele é francês e fala português muito bem, mas com aquele sotaque parecido com o do Vicente Cassel, que meu Deus! Ele é magro, usa um óculos charmosíssimo e estava de camisa pra dentro. Um homem pra ficar bem de camisa pra dentro tem que ser um espetáculo mesmo. Foi inspirador. Eu posso até não passar no mestrado, mas nunca vou me esquecer dele.
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