sábado, 31 de março de 2012

Minhas manhãs no salão.

Minha vida não é futil. Segundo Reinado, Cisma do Oriente, desigualdades brasileiras, Maquiavel, lugares de memória e prolongamento do presente são alguns dos assuntos que tenho aprendido e ensinado. Vejo, com cada vez menos frequencia, é verdade, filmes que me interessam e últimamente nenhum deles tem tido final feliz. Desde o final do ano passado não comprei mais roupas para me manter no controle dos gastos. Vou a bons restaurantes, isso sim, mas é só. A praia não cabe no meu dia-a-dia, mas quando dá tempo vou a exposições. Bijouterias e sandálias na liquidação eu compro. Namoro. Tenho amigos. Falo um pouco ao telefone. Passo bastante tempo na internet. E é isso.
Quando chego no salão, sabe o que eu quero? Ler revista Caraaaaaaaas! Ler Contigo! Ler Quem! Quero falar sobre novela! Escolher esmalte com calma, fofocar e ouvir as rádio old times ambiente. No salão eu quero não saber que existe pobreza. É ali o espaço da redenção.
Depois vem essa gente chata falar mal de "Mulheres ricas". Ai, como eu gostava! Heloou!

sábado, 17 de março de 2012

Despreocupação.

Troquei de pilula, não me senti bem, interrompi a cartela no meio e minha menstruação acabou atrasando mais de 15 dias. Achei que estivesse grávida. Quero tudo na vida nesse momento, menos estar grávida. Foram muitos dias de angustia. E nesses dias eu me lembrava sempre daquela música da Marina "Eu tô grávida".
Hoje menstruei. E quando liguei o rádio essa foi a primeira música a tocar. Que alivio!

domingo, 11 de março de 2012

Pedra pra que te quero.

No meio do caminho a pedra é você.
Nunca houve pedra igual a você.
Caminho cheio de pedras
Pedras brancas, pretas e amarelas
Pra que tanta pedra, meu Deus?     
Árduo caminho de pedregulhos
E você, diamante lapidado,
pedra preciosa, amorosa,
mingau de aveia com canela antes de dormir
é a pedra que faltava.

terça-feira, 6 de março de 2012

A novidade é o máximo.

Hoje foi a minha primeira aula do mestrado. Não vim esperando nada. Terminei as matérias da faculdade em 2008.
Desde então só trabalho.
Desde então não me sinto estudante.
Tive medo de ficar deslocada, em uma turma cheia de jovenzinhos recém formados, bolsistas, filhos de pais que os sustentam (ui ui ui). Tive vergonha dos meus 27 anos.
Até chegar lá.
Na sala tem um antropólogo do Maranhão que estuda a oposição dos evagélicos ao Sarney (Uau!), tem uma baiana que estuda um vice-rei do Brasil e da índia durante o Império português, tem uma potiguar (norteriograndense não existe) que estuda alguma coisa que eu esqueci, uma mineira que estuda jornais de bairro, uma carioca que vai análisar as historinhas do Carlos Zéfiro, um gaúcho que estuda a Guarda Nacional, gente que estuda México, Grécia, Chile... Gente de 20 e poucos anos ou vinte e muitos anos. Todos alegres por estarem ali. Eu estou muito alegre por estar ali também.
A professora, que me deu aula quando eu era caloura, quando me viu comentou que eu me tornei uma mulher. Plenitude, teu nome é mulher. Inconstância é para as meninas.
Ontem dei aula, amanhã também darei. Meu dinheiro é pouco e a consciência de que o mundo lá fora é duro já me atingiu faz tempo, but how warm is this place.
Subindo as escadas, depois da aula, vi todos aqueles estudantes de graduação, alguns muito jovens, vestidos daquele jeito próprio dos calouros de História, com o saião da mãe que não, não é mais bonito, e com uma blusinha da Cantão. Cabelos vermelhos pintados em casa. Mochilas. Relatos sobre os melhores blocos de Carnaval. Eu poderia contar a eles toda a verdade, mas prefiro esquecer. Estudei, caminhei, fiz tudo para estar aqui. Não faz sentido não ser feliz.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Henrique Campos Monnerat

Hoje eu li no livro de Sociologia dos meus alunos uma frase do Drummond que diz que a Democracia é o sistema político em que o povo imagina estar no poder. Achei sensacional a frase e comecei a discutir com eles quais são os métodos utilizados pelo sistema democrático para iludir as pessoas. Fomos, juntos, eu e vários adolescentes, nos dando conta de que o voto é uma mentira. Foi aí que os indaguei sobre quais as possibilidades de nós passarmos a dar as rédeas da realidade em que vivemos. E me lembrei do meu amigo Henrique, que está organizando esse movimento de resistência ao aumento abusivo da passagem da barca Rio-Niterói.
Henrique é historiador formado pela UFF, mestrando em Teoria Literária pela UFRJ. Vendeu cachorro quente na praia de Icaraí para conseguir fazer um intercâmbio de um ano em Buenos Aires. É gay assumido. Tem opiniões corajosas e drásticas sobre tudo. Adora a Alcione. Já leu todos os poetas e quase todos os livros importantes e por isso mesmo é muito solidário com o que sabe. Pisciano sensivel, cheio de amigos, decidiu não ser desrespeitado mais uma vez. Levantou cartazes na estação Araribóia com dizeres contrários a tarifa extorciva e foi segurado covardemente por um segurança enorme, desses que devem ganhar um salário mínimo. Quando vi no youtube a cena do meu bravo amigo Henrique sendo detido por aquele brutamontes me lembrei do menino chinês que enfrentou o tanque naquela foto famosa. Pensei que Henrique, como eu, é professor do estado e ganha setecentos e poucos reais por mês. Me lembrei das paixões de Henrique, do amor com que sempre tratou a mim e a todos os seus amigos. Recordei o dia da vitória de Dilma Vana, quando saímos juntos para comemorar.
Henrique, coração de São Gonçalo, me lembra José Celso. Tenho orgulho dele.
Foi aí que contei aos meus alunos, todos ricos, viajados e moradores de condomínios fechados, que ele sim, foi atrás dos seus direitos. Henrique nunca esteve na sala de jantar. Eu o admiro muito.

Peixe fora d'água.

Na escola estadual onde eu trabalho a coordenadora pedagógica e yo fazemos aniversário no mesmo dia. Comecei a dar aula lá em agosto de 2010. Em fevereiro do ano passado vi no mural que meu nome não constava entre os aniversariantes do mês e fiquei calada. Ainda não tinha me apropriado de nada ali. Mas esse ano, mesmo depois de toda aquela confusão com a diretora na época da seleção do mestrado, tendo percebido que várias pessoas me olharam de cara feia e sendo uma tijucana em meio de cinquenta campograndenses, quando vi que novamente não estava escrirto "Cecília" no tal quadrinho, peguei uma caneta e escrevi a mão o meu nome lá. É meu aniversário também, eu dou aula ali, adoro receber parabéns e cansei de ser esquecida. Pronto. Quando voltei a escola, tinham colocado um papel novo, com o meu nome impresso. Lindo.
Hoje quando cheguei na escola particular, apenas uma professora me deu parabéns pelo aniversário. Aí alguns outros, acanhados, acabaram vindo falar comigo também, forçadamente, é claro. Foi constrangedor. Me senti nada pertencente e essa é uma das piores sensações que existem.
Não sei de quem herdei esse incômodo em não participar das conversas, meus pais são do tipo que entram mudos e saem calados. Não me incomodo em destoar, com isso já me habituei desde a aula de balet, quando só eu usava polvilho antiséptico Granado embaixo dos braços e uma menina perguntou o que era aquilo branco nas minhas axilas, já que todas as outras além de saberem fazer aqueles malditos pliês com graciosidade, ainda tinham mães que haviam descoberto antes da minha a importância da vaidade para crianças pré-adolescentes.
Me chateia, sim, passar em branco. Isso me mata.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Receita.

O molho:Pegue seis dentes de alho, corte-os ao meio e deixe dourando no azeite em fogo baixo. Corte a cebola de forma irregular e acrescente na frigideira. Corte seis tomates orgânicos em pequenos pedaços e retire as sementes. Leve para a frigideira. Mexa tudo com uma colher de pau e acrescente uma colher de sopa de pimenta dedo de moça (só o liquido). Deixe chegar a consistência de um molho de cachorro quente e ponha no liquidificador. Despeje junto um copo de requeijão light de qualquer tipo.
Volte a frigideira e misture berinjelas semi-cruas, cogumelho shimeiji, mais alguns pequenos dentes de alho, azeite, duas colheres de sopa de mostarda dijon e castanha do Pará em pedaços. Bata no liquidificador junto com o restante do molho e vá experimentando o sal e a pimemta a gosto.

O macarrão:
Em uma panela grande deixe ferver a água com duas colheres de sopa de sal e dois dentes de alho. Quando a água borbulhar, despeje o macarrão integral do tipo espagueti e espere cozinhar.

O prato: Em uma travessa grande despeje em camadas o macarrão e o molho. Rale queijo parmesão e jogue por cima. Sirva felicidade.