Muito tempo depois do nosso último encontro, nessa quinta feira a noite, em frente ao cinema onde nos beijamos pela primeira vez, estava eu no telefone com meu novo amor, esperando uma amiga pra ir jantar na Lapa, quando o vi se aproximando.
Mesmos olhos, gestos e voz. Olhei pra ele, interrompi a conversa no telefone, demos aqueles os dois beijinhos de praxe, ele comentou que eu estou loira e também começou a falar no telefone. Avistei minha amiga, fui em direção a ela, ele também encontrou um amigo e só. Nenhuma discussão ou mágoa.
Meu pai dizia que o castivo vem a cavalo. Eu digo que a indiferença também. Estou comendo o prato frio de quem não se importa mais. Quando sentei e raciocinei sobre o encontro, me dei conta de que me sinto completa com o homem com quem estou agora e que hoje é aniversário desse outro. Tive pena dele, que estava ali sozinho, em plenas bodas de talento e tristeza, pensei até em mandar uma mensagem desejando felicidades, mas decidi que ele não é mais problema meu.
Acabou.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
humildade
A verdade é que eu morro de medo de estar fazendo a escolha errada. No fundo eu sei, e é isso que dói, que não existem pessoas ruins: os homens que me fizeram sofrer, os professores que me desprezaram, a diretora de Seropédica, George Bush e Thereza Cristina. Todos têm amor no coração, dormem e acordam cheios de objetivos todos os dias e quando falham, pensam como eu, que sair da linha só um pouquinho não é imperdoável.
Meus pecados latejam na minha mente. Tenho medo de parecer incompetente e de não ter mais credibilidade. Gostaria que só as minhas boas ações reconhecidas. Todos gostaríamos.
Meus pecados latejam na minha mente. Tenho medo de parecer incompetente e de não ter mais credibilidade. Gostaria que só as minhas boas ações reconhecidas. Todos gostaríamos.
domingo, 18 de dezembro de 2011
Pérolas a você.
Isso do atire a primeira pedra quem não tiver pecado é a melhor frase que eu já vi ser atribuída a Jesus. Talves ele não exista, mas só de ter falado isso, já atrai a minha simpatia. O inferno na terra é receber sermão de gente que não tem nada a ver com a minha vida. E por que isso acontece? Porque eu me exponho. Saio falando de mim por aí como se todos fossem capazes de entender o livro aberto. Alguns não têm condições de compreender mesmo, porque sempre estiveram enclausurados numa redoma de covardia horrorosa e a professora de português do colégio não foi capaz de ensiná-los nem as mais simples interpretações de texto, para que no futuro, eles tivessem um mínimo de subjetividade. Outros sabem direitinho do que eu trato, mas julgam o mundo a partir da sua própria trajetória e ó: me atiram meteoritos.
Foi por ter me dado conta de que estava falando a respeito das minhas fraquezas e da minha felicidade pra essa gente que eu fechei a visitação a todas as minhas redes sociais. Não é só medo de inveja porque eu sou familiarizada com esse sentimento. É pra não abrir espaço pra ser sentenciada por pessoas que não fazem nenhuma diferença na minha vida. Tá interessado em mim? Vem me procurar.
Não sou arrogante porra nenhuma. Sempre admiti minhas derrotas e tristezas. Não me acho melhor do que ninguém porque passei no mestrado, mas dá licença de eu ficar feliz. Por que não cria coragem e muda a sua vida, ao invés de ficar vindo ler meu blog pra tentar sentir o gostinho dos meus acontecimentos?
Nunca disse que esse ou aquele emprego eram pouco dignos, nunca cuspi no prato que eu como, mas QUERO MELHORAR DE VIDA, se você não tem essa ambição, por favor, guarde suas críticas para falar na análise que você nunca fez.
Enfim, o acesso a esse blog eu não posso e nem quero controlar. Aqui eu sou livre e de verdade e quem vem aqui, admitindo ou não, conhece o meu valor. Não vou parar de escrever, nem de dizer minhas opiniões. Tenho erros e acertos, e você que não tem nada?
Foi por ter me dado conta de que estava falando a respeito das minhas fraquezas e da minha felicidade pra essa gente que eu fechei a visitação a todas as minhas redes sociais. Não é só medo de inveja porque eu sou familiarizada com esse sentimento. É pra não abrir espaço pra ser sentenciada por pessoas que não fazem nenhuma diferença na minha vida. Tá interessado em mim? Vem me procurar.
Não sou arrogante porra nenhuma. Sempre admiti minhas derrotas e tristezas. Não me acho melhor do que ninguém porque passei no mestrado, mas dá licença de eu ficar feliz. Por que não cria coragem e muda a sua vida, ao invés de ficar vindo ler meu blog pra tentar sentir o gostinho dos meus acontecimentos?
Nunca disse que esse ou aquele emprego eram pouco dignos, nunca cuspi no prato que eu como, mas QUERO MELHORAR DE VIDA, se você não tem essa ambição, por favor, guarde suas críticas para falar na análise que você nunca fez.
Enfim, o acesso a esse blog eu não posso e nem quero controlar. Aqui eu sou livre e de verdade e quem vem aqui, admitindo ou não, conhece o meu valor. Não vou parar de escrever, nem de dizer minhas opiniões. Tenho erros e acertos, e você que não tem nada?
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Pra não se misturar aos porcos.
Quando eu for pela última vez a Seropédica (oh, how i wish it would have been today) vou cantar "The dog days are over" da Florence and the machine (só gosto dessa música dela e não, não enjôo) bem alto. Vou olhar pro km 32, pedaço esquecido de Nova Iguaçu, onde moram os meus alunos, e vou mandar lavar os meus sapatos, feito Carlota Joaquina.
Vou esquecer da franja cafona da diretora, das professoras medrosas, da servente que pensa que é coordenadora, da comida sem graça, das duas horas de ônibus pra ir e voltar, da poeira e da lama.
Não me olvidarei, no entanto, do trocador do 441B que sempre acena pra mim quando eu salto, de algumas professoras que mesmo sendo evangélicas e mais velhas, não me julgaram quando eu supostamente errei e das alunas que no dia que a diretora achou que poderia me expulsar da escola, correram atrás de mim e choraram no portão, disputando espaço para me beijar.
São dias de cachorro e eu quero que cheguem ao fim, mas ao contrário da maioria das minhas superiores, não tenho a alma pequena.
Não se trata de pessoas ruins, elas são limitadas apenas, naquele mundinho de Fundação Educacional Unificada Campograndense e West shoping. Tudo cafona e superficial, frases feitas bem intensionadas, mas frequentemente de mal gosto.
Não sou arrogante, tentei pertencer. Fui lanchar com elas, ouvi todos os papinhos, fingi que não conhecia o que estou careca de saber e nem em greve entrei, pra não ser a ovelha negra da família. Não funcionou. Sou a diferente mesmo, não pertenço a nada ali e tenho outras metas pra minha vida.
Não quero mais comer farelo. Chega.
Vou esquecer da franja cafona da diretora, das professoras medrosas, da servente que pensa que é coordenadora, da comida sem graça, das duas horas de ônibus pra ir e voltar, da poeira e da lama.
Não me olvidarei, no entanto, do trocador do 441B que sempre acena pra mim quando eu salto, de algumas professoras que mesmo sendo evangélicas e mais velhas, não me julgaram quando eu supostamente errei e das alunas que no dia que a diretora achou que poderia me expulsar da escola, correram atrás de mim e choraram no portão, disputando espaço para me beijar.
São dias de cachorro e eu quero que cheguem ao fim, mas ao contrário da maioria das minhas superiores, não tenho a alma pequena.
Não se trata de pessoas ruins, elas são limitadas apenas, naquele mundinho de Fundação Educacional Unificada Campograndense e West shoping. Tudo cafona e superficial, frases feitas bem intensionadas, mas frequentemente de mal gosto.
Não sou arrogante, tentei pertencer. Fui lanchar com elas, ouvi todos os papinhos, fingi que não conhecia o que estou careca de saber e nem em greve entrei, pra não ser a ovelha negra da família. Não funcionou. Sou a diferente mesmo, não pertenço a nada ali e tenho outras metas pra minha vida.
Não quero mais comer farelo. Chega.
domingo, 11 de dezembro de 2011
Minha psicóloga me pediu pra levar uma lista com as minhas metas pra 2012 na nossa próxima seção.
Não tenho coragem de dizer a verdade a ela, mas sinto que preciso registrar esse compromisso de alguma forma e acredito que aqui é o espaço mais apropriado porque os leitores não me cobrarão nada e eu me recordarei do que está escrito.
Os objetivos são os seguintes:
1 - Limpar meu nome. - Não aguento mais ter dívidas.
2 - Emagrecer - sempre.
3 - Ter um caderno organizadinho para cada uma das turmas que eu dou aula e seguir o curriculo recomendado (por mais impossível que isso seja)
4 - Ler todos os textos que me forem recomendados em dia.
Obs: Não, minha psicóloga não sabe que eu tenho dívidas absurdas. Me envergonho tanto disso que não disse nem pra ela. Estou ali para adquirir coragem e pensar nas minhas dívidas me torna covarde e me faz perder o sono. Vou quitar tudo, mas não consigo tratar desse assunto na terapia.
Não tenho coragem de dizer a verdade a ela, mas sinto que preciso registrar esse compromisso de alguma forma e acredito que aqui é o espaço mais apropriado porque os leitores não me cobrarão nada e eu me recordarei do que está escrito.
Os objetivos são os seguintes:
1 - Limpar meu nome. - Não aguento mais ter dívidas.
2 - Emagrecer - sempre.
3 - Ter um caderno organizadinho para cada uma das turmas que eu dou aula e seguir o curriculo recomendado (por mais impossível que isso seja)
4 - Ler todos os textos que me forem recomendados em dia.
Obs: Não, minha psicóloga não sabe que eu tenho dívidas absurdas. Me envergonho tanto disso que não disse nem pra ela. Estou ali para adquirir coragem e pensar nas minhas dívidas me torna covarde e me faz perder o sono. Vou quitar tudo, mas não consigo tratar desse assunto na terapia.
Se a via-crucis virou circo, estou aqui.
Sol de pleno dezembro. Eu fui.
Dez da manhã. Minha entrevista. Não me disseram que essa era a parte mais difícil.
Estudei enclausurada durante meses. Ouvi de uma professora do estado esses dias que lá é o seu ganha-pão e que não foi fácil passar, por isso ela valoriza muito esse emprego. Tive vontade de dizer a ela que não peguei em um livro pra fazer aquela prova e passei, já pra entrar no mestrado o rebolation foi intenso.
Achava que passada a prova escrita estaria tudo bem, jogo ganho. Sempre soube me expressar e estava segura em relação ao meu projeto. Fui a quarta a ser chamada. A sala tinha uma mesa enorme de madeira e a arrumação me deixou de frente para os cinco pós-doutores que, nessa circunstância, fazem o papel de inquisidores.
Quando me vi sentada ali, perdi a desenvoltura. Repeti palavras e esqueci meus talentos. Foi difícil. Quando saí, já na Presidente Vargas, esperando o ônibus, a ficha caiu e eu chorei muito.
Me lembrei da escola, do vestibular, de quando era caloura, do entusiasmo que foi surgindo aos poucos apesar de a História ter sido uma escolha consciente e antiga, dos textos lidos, dos não lidos, de todo o tempo que eu me senti atrasada por não estar na pós-graduação, dos meninos e meninas bem mais novos que eu que já estão no doutorado, de todo mundo no Rock in Rio enquanto eu estudava, do dia da prova, da frase que eu escolhi pra começar a escrever e das associações que fiz sozinha ou com a ajuda de amigos. Chorei as lágrimas de quem não está mais brincando. E fui trabalhar.
Deu tudo certo, fui aprovada em décimo quinto lugar. Os últimos serão os primeiros.
Não sei o que farei em relação a falta de tempo e dinheiro, mas nem me importo, consegui passar, a conquista é minha, essa é a prioridade, sou boa e corajosa o suficiente.
Dez da manhã. Minha entrevista. Não me disseram que essa era a parte mais difícil.
Estudei enclausurada durante meses. Ouvi de uma professora do estado esses dias que lá é o seu ganha-pão e que não foi fácil passar, por isso ela valoriza muito esse emprego. Tive vontade de dizer a ela que não peguei em um livro pra fazer aquela prova e passei, já pra entrar no mestrado o rebolation foi intenso.
Achava que passada a prova escrita estaria tudo bem, jogo ganho. Sempre soube me expressar e estava segura em relação ao meu projeto. Fui a quarta a ser chamada. A sala tinha uma mesa enorme de madeira e a arrumação me deixou de frente para os cinco pós-doutores que, nessa circunstância, fazem o papel de inquisidores.
Quando me vi sentada ali, perdi a desenvoltura. Repeti palavras e esqueci meus talentos. Foi difícil. Quando saí, já na Presidente Vargas, esperando o ônibus, a ficha caiu e eu chorei muito.
Me lembrei da escola, do vestibular, de quando era caloura, do entusiasmo que foi surgindo aos poucos apesar de a História ter sido uma escolha consciente e antiga, dos textos lidos, dos não lidos, de todo o tempo que eu me senti atrasada por não estar na pós-graduação, dos meninos e meninas bem mais novos que eu que já estão no doutorado, de todo mundo no Rock in Rio enquanto eu estudava, do dia da prova, da frase que eu escolhi pra começar a escrever e das associações que fiz sozinha ou com a ajuda de amigos. Chorei as lágrimas de quem não está mais brincando. E fui trabalhar.
Deu tudo certo, fui aprovada em décimo quinto lugar. Os últimos serão os primeiros.
Não sei o que farei em relação a falta de tempo e dinheiro, mas nem me importo, consegui passar, a conquista é minha, essa é a prioridade, sou boa e corajosa o suficiente.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Caciques e índios.
É público e notório que historiador não ganha bem. O auge da nossa carreira é ser professor universitário e o salário atribuído a essa nobre ocupação é de seis mil reais. Ainda há todos os beneficios sensacionais da previdência integral, licenças premiuns e reajustes progressivos, mas com as reformas que estão ocorrendo acho difícil que a coisa continue assim.
Enquanto advogados e engenheiros ganham tranquilos cinco mil reais de salário inicial, nós nos estapeamos por muito menos do que isso. Em concursos pra professor secundarista estapeia-se por menos de um terço desse valor. Sobra espaço paras as vaidades.
Adoro o que eu escolhi pra fazer da vida e estou super engajada em estudar, mas fico passada a ferro quente das freias medievais quando vejo como esses pós doutores se sentem o supra sumo da humanidade.
Esses dias um, com quem eu sempre nutri uma boa relação virou a cara pra mim na porta da faculdade. Fez isso porque não aceitei trabalhar com ele. Tive vontade de ir atrás e perguntar quem ele pensa que é, mas preferi evitar a fadiga.
Hoje soube de uma louca (bem inteligente, é verdade) que disse por aí que eu e uma outra ex-aluna da raia miúda brigamos por causa de não sei quem. Mulher que tem apartamento na França, é amiga pessoal de ex-presidentes e cantoras famosas falando da minha vida? Nem sequer encontro mais a menina com quem supostamente briguei e a detentora da fofoca então, não vejo há mais de um ano. Meu nome em boca de Matildes acadêmicas, queimação total.
É tanta idiossincrasia que essa gente tem, tanta falta de tato com a vida real que dá vontade de gritar. Mas dependo deles. Então entendi que tenho que ser humilde e ficar bem quietinha sempre. Tô vendo que o cara tá falando merda? Deixo. Tô sabendo de um fato desmoralizador sobre ele? Rio sozinha. Gosta dele a ponto de querer abraçá-lo? Não demonstro, quase todos são avessos a carinho.
Quando a gente vive no meio dos caciques, o negócio é vestir a carapuça de índio e deixar eles se degladearem.
Porque no fundo a verdade é que dos assuntos que eles são especialistas, eu entendo pouquíssimo. E em alguns raros momentos eles deixam transparecer o amor ao próximo, aí a coisa toda fica um pouco menos dura.
Enquanto advogados e engenheiros ganham tranquilos cinco mil reais de salário inicial, nós nos estapeamos por muito menos do que isso. Em concursos pra professor secundarista estapeia-se por menos de um terço desse valor. Sobra espaço paras as vaidades.
Adoro o que eu escolhi pra fazer da vida e estou super engajada em estudar, mas fico passada a ferro quente das freias medievais quando vejo como esses pós doutores se sentem o supra sumo da humanidade.
Esses dias um, com quem eu sempre nutri uma boa relação virou a cara pra mim na porta da faculdade. Fez isso porque não aceitei trabalhar com ele. Tive vontade de ir atrás e perguntar quem ele pensa que é, mas preferi evitar a fadiga.
Hoje soube de uma louca (bem inteligente, é verdade) que disse por aí que eu e uma outra ex-aluna da raia miúda brigamos por causa de não sei quem. Mulher que tem apartamento na França, é amiga pessoal de ex-presidentes e cantoras famosas falando da minha vida? Nem sequer encontro mais a menina com quem supostamente briguei e a detentora da fofoca então, não vejo há mais de um ano. Meu nome em boca de Matildes acadêmicas, queimação total.
É tanta idiossincrasia que essa gente tem, tanta falta de tato com a vida real que dá vontade de gritar. Mas dependo deles. Então entendi que tenho que ser humilde e ficar bem quietinha sempre. Tô vendo que o cara tá falando merda? Deixo. Tô sabendo de um fato desmoralizador sobre ele? Rio sozinha. Gosta dele a ponto de querer abraçá-lo? Não demonstro, quase todos são avessos a carinho.
Quando a gente vive no meio dos caciques, o negócio é vestir a carapuça de índio e deixar eles se degladearem.
Porque no fundo a verdade é que dos assuntos que eles são especialistas, eu entendo pouquíssimo. E em alguns raros momentos eles deixam transparecer o amor ao próximo, aí a coisa toda fica um pouco menos dura.
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