Fui a Paris conhecer um grande amor, mas poderia ter ido a Saquarema.
Só aconteceu em Paris porque era um sábado de manhã. Se fosse na quarta-feira, teria sido na estação Cinelândia do metrô, bem na hora que o vagão esvazia e os trabalhadores que carregam o Brasil vão assinar seus pontos. Operários?
O grande amor, cristalizado na cidade luz e nas águas antigas do Sena era você.
E eu, sem Brasil nenhum, te chamei pra ser meu num daqueles palácios. Quis construir pra você um jardim sem agrestes. Eu quis te dar todas as minhas torres.
Nenhuma praia seria suficiente pra avalanche de novidades que era você.
Eu poderia ter te amado.
Não amei porque levo comigo esse Brasil impiedoso todos os dias e todas as noites.
Porque não sei como são as ondas calmas do rio que ficou vermelho com o sangue dos sonhadores.
Conheço apenas as águas revoltas que beiram a estrada.
Lido com invasores, ninguém fala a minha lingua.
Faltam longos meses de mar e tempestade pra eu te encontrar.
É o destino da América não ter rainhas.
domingo, 15 de maio de 2011
segunda-feira, 9 de maio de 2011
Senhora de nenhum amor.
Desde ontem a noite, quando o Marcelo Camelo cantou "A outra" no show do Circo voador, não me sai da cabeça a expressão "Senhora desse amor". Me lembrei daquele filme Mademoiselle Chambom, que é a história do pedreiro que se apaixona pela professora do filho dele quando a vê tocando violino. Os dois vivem com intensidade a paixão, mas nunca se tocam. Só no final, quando ela está indo embora, eles transam enlouquecidos de desejo de serem felizes juntos. Essa mulher era senhora do amor daquele homem, como na música.
Me pergunto se alguma vez eu fui senhora do amor de algum desses homens inconstantes pelos quais me apaixonei. Acredito que tenha sido, mas acrescento: Como é difícil ser senhora de um amor só as vezes!
Esses dias um menino, desses que jogam bola e tal, perguntou se eu não queria ir com ele numa apresentação de uns artistas alemães, porque ele já tinha convidado todos os amigos, mas nenhum tinha se interessado e eu era a última opção. Disse ainda que eu poderia ficar tranquila que ele não estava dando em cima de mim. E dois dias depois falou que desistiu do show porque lembrou que tinha curso de francês na mesma hora.
Vários aspectos dessa história me intrigam. O primeiro: É um menino bonitinho, da minha idade, mas ainda menino, apesar de ser inteligente e morar sozinho e eu, apesar de estar a procura de homens, até o acho interessante e sempre dou atenção a ele, mas tenho CERTEZA de que ele nunca me beijaria. Deve me achar legal, gente boa, inteligente e bacaninha, mas só. Pesa o fato de eu não ser magra, de não ser frágil e de não ser mais menina. Garotos assim, quando se interessam por mim, estão procurando a mãe e não a mulher que eu ofereço.
O outro aspecto que me intriga é o aviso prévio dele em relação as intenções que envolviam o encontro. "Eu não estou te cantando", ele disse, eliminando qualquer esperança de flerte que eu pudesse vir a ter, com certeza por achar que eu, mulher carente e gordinha, certamente me encantaria por ele. Não houve dúvida por parte dele de que por ele nada aconteceria e que por mim aconteceria tudo.
O terceiro aspecto que me incomodou foi a posterior desmarcação. Imaginei que ele deva ter ficado um dia sem dormir pensando no quanto seria embaraçoso sair sozinho comigo, se perguntando o que faria caso alguém nos visse e achasse que estávamos juntos.
Preciso dizer que o entendo. Só que depois disso, quem tem (ainda mais) medo sou eu. Tenho medo de só encontrar homens como ele pelo meu caminho. Tenho medo de nunca servir completamente pra ninguém.
Me pergunto se toda a minha desenvoltura em relação a mim mesma, todo o meu desapego a limites sexuais e a minha culpa sublimada em relação ao peso, se tudo isso não faz com que os homens só me permitam ser senhora do amor deles por pouco tempo.
Esse menino nem é importante pra mim e eu não me chateei com ele, mas não gostaria de ser avisada novamente de que estou sendo convidada por último e de que comigo não há possibilidade de interesse.
Queria ser senhora dos sonhos de alguém.
Me pergunto se alguma vez eu fui senhora do amor de algum desses homens inconstantes pelos quais me apaixonei. Acredito que tenha sido, mas acrescento: Como é difícil ser senhora de um amor só as vezes!
Esses dias um menino, desses que jogam bola e tal, perguntou se eu não queria ir com ele numa apresentação de uns artistas alemães, porque ele já tinha convidado todos os amigos, mas nenhum tinha se interessado e eu era a última opção. Disse ainda que eu poderia ficar tranquila que ele não estava dando em cima de mim. E dois dias depois falou que desistiu do show porque lembrou que tinha curso de francês na mesma hora.
Vários aspectos dessa história me intrigam. O primeiro: É um menino bonitinho, da minha idade, mas ainda menino, apesar de ser inteligente e morar sozinho e eu, apesar de estar a procura de homens, até o acho interessante e sempre dou atenção a ele, mas tenho CERTEZA de que ele nunca me beijaria. Deve me achar legal, gente boa, inteligente e bacaninha, mas só. Pesa o fato de eu não ser magra, de não ser frágil e de não ser mais menina. Garotos assim, quando se interessam por mim, estão procurando a mãe e não a mulher que eu ofereço.
O outro aspecto que me intriga é o aviso prévio dele em relação as intenções que envolviam o encontro. "Eu não estou te cantando", ele disse, eliminando qualquer esperança de flerte que eu pudesse vir a ter, com certeza por achar que eu, mulher carente e gordinha, certamente me encantaria por ele. Não houve dúvida por parte dele de que por ele nada aconteceria e que por mim aconteceria tudo.
O terceiro aspecto que me incomodou foi a posterior desmarcação. Imaginei que ele deva ter ficado um dia sem dormir pensando no quanto seria embaraçoso sair sozinho comigo, se perguntando o que faria caso alguém nos visse e achasse que estávamos juntos.
Preciso dizer que o entendo. Só que depois disso, quem tem (ainda mais) medo sou eu. Tenho medo de só encontrar homens como ele pelo meu caminho. Tenho medo de nunca servir completamente pra ninguém.
Me pergunto se toda a minha desenvoltura em relação a mim mesma, todo o meu desapego a limites sexuais e a minha culpa sublimada em relação ao peso, se tudo isso não faz com que os homens só me permitam ser senhora do amor deles por pouco tempo.
Esse menino nem é importante pra mim e eu não me chateei com ele, mas não gostaria de ser avisada novamente de que estou sendo convidada por último e de que comigo não há possibilidade de interesse.
Queria ser senhora dos sonhos de alguém.
domingo, 8 de maio de 2011
Vale tudo é vintage.
Já faz um tempo que eu venho pensando em escrever sobre Vale tudo, mas por preguiça e medo de cair na obviedade, posterguei essa nobre tarefa. Hoje, no entanto, se tornou inevitável.
Se você não assiste Vale tudo, rogo que não abandone por aqui a leitura, sou boa em contar histórias e garanto que você entenderá tudinho. Se você assiste e sabe o quilate da obra, me convide para um café qualquer dia.
Imagino que mais de mil pessoas já devam ter escrito sobre isso, mas nem ligo, eu só tinha 3 aninhos quando Vale tudo foi exibida pela primeira vez e, agora, com 26, assistindo a reprise, é justo que eu dê minhas impressões.
Vale tudo é a odisséia de Maria de Fátima (Glória Pires, comedida desde aquela época), menina do interior que queria ser rica. Ela vende a casa em que mora com a mãe, Raquel (Regina Duarte acertadamente cafona e passada do ponto), deixa a coitada na rua e usa o dinheiro pra ir atrás, sem nenhum escrupulo, da sua felicidade. A pedra no caminho da Fátima é o segundo diamante da novela, Cesar (Carlos Alberto Ricceli com cheiro de homem), o ex-modelo decadente, de voz doce e ferormônios latentes, que num dos diálogos mais bonitos da trama diz a ela que a coisa mais triste que existe é fim de festa.
Cesar e Fátima unidos alternam esperteza e culpa de forma que um nunca deixe que o outro se arrependa das maldades que planejam jutos. Eles têm jeito de gente boa, gente que dá beijinhos quando encontra na rua, que chora quando sente dor e tem dor de barriga quando come bolo quente. É por isso que convencem.
Fátima consegue se casar com o namorado da amiga lutadora, descolada e honesta, do tipo que calcula sozinha o imposto de renda e que em 1988 já comia comida japonesa: Solange Suprat (Lidia Brondi coquete). A ruivinha confiou na cara de boa moça da Fátima e no olhar consternado do Cesar e, com o perdão da expressão, se fudeu de verde e amarelo.
O namorado da Solange, que vira marido da Fátima é Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes honesto), rapazinho de caráter, que faz lembrar aquele rico bacana que foi da sua turma na faculdade e que quando teve o casamento do colega da Vila da Penha, não só compareceu, como levou presente. Afonso é imaturo para o amor, mimado e temperamental. Grita com uma facilidade irritante e odeia ostentação. Se casa com Maria de Fátima porque acredita na simplicidade, no sorriso puro e na carinha de esposa que ela tem.
Nada disso teria acontecido se não fosse o diamante número um da novela, Odete Roitman (Beatriz Segall grandiosa), o gênio de olhos azuis. Odete me lembra um pouco uma orientadora que eu tive na graduação que também ia muito a França e tinha olhos azuis enormes. São incontáveis os acertos na construção do personagem: É o tom agudo que ela acrescenta ao final de cada palavra, a simpatia cocomitante a arrogância, o apreço pelo trabalho em paralelo com a desonestidade e as tiradas mal humoradas sobre o Brasil. Odete é tão forte que para fazer a novela andar a contragosto da vontade dela, Gilberto Braga precisou matá-la. O calcanhar de aquiles de Odete são os jovens rapazes bonitos. Depois de patrocinar o casamento do filho com Maria de Fátima, ela se apaixona justamente pelo amado da nora e protagoniza com ele os melhores momentos da novela na minha opinião.
Pra mim, uma das melhores cenas da Fátima com o Cesar acontece num dia em que os dois estão no apartamento dele a tarde, cada um em um sofá, cada um lendo uma revista. Ela gosta tanto dele que vai passar a tarde com ele pra ler revista, tamanhos são a paz e o conforto que sente com a presença do amante. Isso é amor maciço, coisa pura.
Já com Odete são os diálogos que me emocionam. Cesar diz a ela, quando se conhecem, que, como ela, adora uma baixaria. Caríssimo leitor, ele está falando de baixaria pra Odete Roitman, não tem Valeska Popozuda na jogada. As palavras dos dois transbordam tesão. Os olhares excitados me deixam intrigada. É um homem de 35 anos com uma mulher de 60. É um homem falcatrua com uma mulher dessas que saem na lista dos dez mais da Forbes. Baixaria não é coisa pra principiantes.
No diálogo em que os dois se beijam ela pergunta e ele em que pode ajudá-lo e quer saber se ele quer voltar a trabalhar na empresa dela. A resposta do cafajeste não sai da minha cabeça. Ele diz: "Não, Odete. Minhas razões são muito mais prosaicas do que isso. Eu preciso de dinheiro"
GENTE, não sei se toca a vocês como tocou a mim, mas percebam a magnitude e engenhosidade braguiana: Cesar poderia enrolar, contar uma história triste ou fazer caras e bocas. Poderia ser o canalha típico que resolve todas as questões com o mesmo palavreado vulgar, mas não, ele é requintado, bem educado e ao contrário do filho de Odete, nunca altera o tom de voz. Pedir dinheiro usando a expressão "prosaico"? Cesar também não é para principiantes.
Eu e um amigo, desde que começamos a assistir Vale tudo, toda vez que nos enxergamos neuróticos por questões amorosas, evocamos a personagem mais chata da trama: Heleninha Roitman (Renata Sorrah com muita vodka). Despenteada, enjoada e melosa, sofisticada a toa mesmo, faz com que nós tenhamos pavor de nos parecer com ela. Sem Odete ela não teria tido competência para tirar Ivan (o Antônio Fagundes mais bonito de todos os tempos) da mocinha Raquel.
Ivan se mostra corruptivel durante quase toda a novela, Raquel não. Ela é a mãe que vai atrás da filha pródiga, é cozinheira que vende sanduiche na praia embalada por Catenao Veloso cantando "Brasileirinho", é mulher que grita, se descabela e fala mais do que deve. Ela e Heleninha são a cruz e a espada de um homem comum, desses que quer ganhar bem pra levar o filho à Disney. Também tenho medo de ser como a Raquel, mas no fundo gosto dela.
Há ainda muitos personagens marcantes, o ex-marido da Helena e aliado de Odete Roitman na empresa TCA, Marco Aurélio (Reginaldo Faria ou Jesse Valadão?), que hora é lobo na pele de cordeiro, hora é um homem fofo igual ao pai da sua amiga que buscava vocês de madrugada nas festinhas de 15 anos do segundo grau. Tem a Leila (Cássia Kiss gostosa), ex-mulher do Ivan, que é mulher normal, na melhor das definições, e que como todas nós, quer se sentir amparada e amada, por isso se casa com o Marco Aurélio cordeiro, fingindo que nem sabe que existe lobo.
Tem a Aldeíde (Lilia Cabral sem chapinha), mulher alta de voz fina e olhos enormes, que é tão sem vergonha que causa inveja na melhor amiga Consuelo (Rosane Goffman sempre tijucana), secretária quarentona daquelas que morrem de vontade de se meterem numa baixaria, mas são principiantes e covardes.
Tem a Iris (Cristina Galvão subestimada), que é secretária junto com a Consuelo, mocinha de Irajá que mora com a avó e é eficiente no trabalho, mas travada em tudo. Iris é como a maioria das mulheres brasileiras que não encontra o homem dos sonhos e têm que se conformar com a realidade. Antes mal acompanhada do que só. Ela conquista o coração do Poliana (Pedro Paulo Rangel impecável), homem bom e sem jeito, coadjuvante primordial da trama.
E tem o Brasil, que naquela época era um projeto de Democracia em crise constante, cheio de gente de bem e de vigaristas, mas que ainda não tinha descoberto o câncer do políticamente correto e que por isso, pode ser o cenário desse espetáculo todo.
Se você não assiste Vale tudo, rogo que não abandone por aqui a leitura, sou boa em contar histórias e garanto que você entenderá tudinho. Se você assiste e sabe o quilate da obra, me convide para um café qualquer dia.
Imagino que mais de mil pessoas já devam ter escrito sobre isso, mas nem ligo, eu só tinha 3 aninhos quando Vale tudo foi exibida pela primeira vez e, agora, com 26, assistindo a reprise, é justo que eu dê minhas impressões.
Vale tudo é a odisséia de Maria de Fátima (Glória Pires, comedida desde aquela época), menina do interior que queria ser rica. Ela vende a casa em que mora com a mãe, Raquel (Regina Duarte acertadamente cafona e passada do ponto), deixa a coitada na rua e usa o dinheiro pra ir atrás, sem nenhum escrupulo, da sua felicidade. A pedra no caminho da Fátima é o segundo diamante da novela, Cesar (Carlos Alberto Ricceli com cheiro de homem), o ex-modelo decadente, de voz doce e ferormônios latentes, que num dos diálogos mais bonitos da trama diz a ela que a coisa mais triste que existe é fim de festa.
Cesar e Fátima unidos alternam esperteza e culpa de forma que um nunca deixe que o outro se arrependa das maldades que planejam jutos. Eles têm jeito de gente boa, gente que dá beijinhos quando encontra na rua, que chora quando sente dor e tem dor de barriga quando come bolo quente. É por isso que convencem.
Fátima consegue se casar com o namorado da amiga lutadora, descolada e honesta, do tipo que calcula sozinha o imposto de renda e que em 1988 já comia comida japonesa: Solange Suprat (Lidia Brondi coquete). A ruivinha confiou na cara de boa moça da Fátima e no olhar consternado do Cesar e, com o perdão da expressão, se fudeu de verde e amarelo.
O namorado da Solange, que vira marido da Fátima é Afonso Roitman (Cássio Gabus Mendes honesto), rapazinho de caráter, que faz lembrar aquele rico bacana que foi da sua turma na faculdade e que quando teve o casamento do colega da Vila da Penha, não só compareceu, como levou presente. Afonso é imaturo para o amor, mimado e temperamental. Grita com uma facilidade irritante e odeia ostentação. Se casa com Maria de Fátima porque acredita na simplicidade, no sorriso puro e na carinha de esposa que ela tem.
Nada disso teria acontecido se não fosse o diamante número um da novela, Odete Roitman (Beatriz Segall grandiosa), o gênio de olhos azuis. Odete me lembra um pouco uma orientadora que eu tive na graduação que também ia muito a França e tinha olhos azuis enormes. São incontáveis os acertos na construção do personagem: É o tom agudo que ela acrescenta ao final de cada palavra, a simpatia cocomitante a arrogância, o apreço pelo trabalho em paralelo com a desonestidade e as tiradas mal humoradas sobre o Brasil. Odete é tão forte que para fazer a novela andar a contragosto da vontade dela, Gilberto Braga precisou matá-la. O calcanhar de aquiles de Odete são os jovens rapazes bonitos. Depois de patrocinar o casamento do filho com Maria de Fátima, ela se apaixona justamente pelo amado da nora e protagoniza com ele os melhores momentos da novela na minha opinião.
Pra mim, uma das melhores cenas da Fátima com o Cesar acontece num dia em que os dois estão no apartamento dele a tarde, cada um em um sofá, cada um lendo uma revista. Ela gosta tanto dele que vai passar a tarde com ele pra ler revista, tamanhos são a paz e o conforto que sente com a presença do amante. Isso é amor maciço, coisa pura.
Já com Odete são os diálogos que me emocionam. Cesar diz a ela, quando se conhecem, que, como ela, adora uma baixaria. Caríssimo leitor, ele está falando de baixaria pra Odete Roitman, não tem Valeska Popozuda na jogada. As palavras dos dois transbordam tesão. Os olhares excitados me deixam intrigada. É um homem de 35 anos com uma mulher de 60. É um homem falcatrua com uma mulher dessas que saem na lista dos dez mais da Forbes. Baixaria não é coisa pra principiantes.
No diálogo em que os dois se beijam ela pergunta e ele em que pode ajudá-lo e quer saber se ele quer voltar a trabalhar na empresa dela. A resposta do cafajeste não sai da minha cabeça. Ele diz: "Não, Odete. Minhas razões são muito mais prosaicas do que isso. Eu preciso de dinheiro"
GENTE, não sei se toca a vocês como tocou a mim, mas percebam a magnitude e engenhosidade braguiana: Cesar poderia enrolar, contar uma história triste ou fazer caras e bocas. Poderia ser o canalha típico que resolve todas as questões com o mesmo palavreado vulgar, mas não, ele é requintado, bem educado e ao contrário do filho de Odete, nunca altera o tom de voz. Pedir dinheiro usando a expressão "prosaico"? Cesar também não é para principiantes.
Eu e um amigo, desde que começamos a assistir Vale tudo, toda vez que nos enxergamos neuróticos por questões amorosas, evocamos a personagem mais chata da trama: Heleninha Roitman (Renata Sorrah com muita vodka). Despenteada, enjoada e melosa, sofisticada a toa mesmo, faz com que nós tenhamos pavor de nos parecer com ela. Sem Odete ela não teria tido competência para tirar Ivan (o Antônio Fagundes mais bonito de todos os tempos) da mocinha Raquel.
Ivan se mostra corruptivel durante quase toda a novela, Raquel não. Ela é a mãe que vai atrás da filha pródiga, é cozinheira que vende sanduiche na praia embalada por Catenao Veloso cantando "Brasileirinho", é mulher que grita, se descabela e fala mais do que deve. Ela e Heleninha são a cruz e a espada de um homem comum, desses que quer ganhar bem pra levar o filho à Disney. Também tenho medo de ser como a Raquel, mas no fundo gosto dela.
Há ainda muitos personagens marcantes, o ex-marido da Helena e aliado de Odete Roitman na empresa TCA, Marco Aurélio (Reginaldo Faria ou Jesse Valadão?), que hora é lobo na pele de cordeiro, hora é um homem fofo igual ao pai da sua amiga que buscava vocês de madrugada nas festinhas de 15 anos do segundo grau. Tem a Leila (Cássia Kiss gostosa), ex-mulher do Ivan, que é mulher normal, na melhor das definições, e que como todas nós, quer se sentir amparada e amada, por isso se casa com o Marco Aurélio cordeiro, fingindo que nem sabe que existe lobo.
Tem a Aldeíde (Lilia Cabral sem chapinha), mulher alta de voz fina e olhos enormes, que é tão sem vergonha que causa inveja na melhor amiga Consuelo (Rosane Goffman sempre tijucana), secretária quarentona daquelas que morrem de vontade de se meterem numa baixaria, mas são principiantes e covardes.
Tem a Iris (Cristina Galvão subestimada), que é secretária junto com a Consuelo, mocinha de Irajá que mora com a avó e é eficiente no trabalho, mas travada em tudo. Iris é como a maioria das mulheres brasileiras que não encontra o homem dos sonhos e têm que se conformar com a realidade. Antes mal acompanhada do que só. Ela conquista o coração do Poliana (Pedro Paulo Rangel impecável), homem bom e sem jeito, coadjuvante primordial da trama.
E tem o Brasil, que naquela época era um projeto de Democracia em crise constante, cheio de gente de bem e de vigaristas, mas que ainda não tinha descoberto o câncer do políticamente correto e que por isso, pode ser o cenário desse espetáculo todo.
segunda-feira, 2 de maio de 2011
Batom para ninguém.
O pior de gostar e não ser correspondida é me lembrar dele quando eu me sinto bonita. Pensar nele na solidão da sexta feira a noite é fácil, mas passar o batom pra ele sem que ele queira ver é terrível.
As redes sociais também potencializam bastante a saudade. Ele ali, cheio de assuntos, novidades e tudo o que eu não sei mais como está, online, disponível para conversar e longe de mim me mata.
Tenho tentado aprender a ser indiferente. Consegui sair com dignidade da última relação sem maiores prejuízos para o nosso contato virtual (meu e do ex), mas com esse último, justamente por eu gostar de quase tudo o que ele diz, fica difícil não esperar um "oi" de misericórdia.
Talvez com ele eu não quisesse contar nada, acho que só quero ouvir. Pode ser carência também, deve ser.
Hoje postei no Facebook uma foto de biquini(!) na qual estou do lado de um grande amigo só pra causar ciúmes nele. Pra fazer ele lembrar da minha pele, das minhas risadas e da minha liberdade. Não adiantou nada.
As redes sociais também potencializam bastante a saudade. Ele ali, cheio de assuntos, novidades e tudo o que eu não sei mais como está, online, disponível para conversar e longe de mim me mata.
Tenho tentado aprender a ser indiferente. Consegui sair com dignidade da última relação sem maiores prejuízos para o nosso contato virtual (meu e do ex), mas com esse último, justamente por eu gostar de quase tudo o que ele diz, fica difícil não esperar um "oi" de misericórdia.
Talvez com ele eu não quisesse contar nada, acho que só quero ouvir. Pode ser carência também, deve ser.
Hoje postei no Facebook uma foto de biquini(!) na qual estou do lado de um grande amigo só pra causar ciúmes nele. Pra fazer ele lembrar da minha pele, das minhas risadas e da minha liberdade. Não adiantou nada.
quinta-feira, 28 de abril de 2011
domingo, 24 de abril de 2011
I'm the mistake.
Eu também estava insatifeita. Já tinha dito aos meus amigos que não queria mais. Não desejei a ligação dele nos dias seguintes, nem tentei me imaginar de mãos dadas com ele antes de dormir, aliás nunca quis andar de mãos dadas com ele.
E aí ele me disse que eu fui um engano.
Não estou sofrendo, senti que havia ali um desconpasso sério e até valorizo a honestidade dele em verbalizar isso.
Mas pra mim não houve engano.
A tal vontade de amar que paraliza o trabalho do Drummond só me atrapalha a vida. Fui ali cheia de disposição e ouço num sábado de madrugada que fui um engano.
É muito azar.
E aí ele me disse que eu fui um engano.
Não estou sofrendo, senti que havia ali um desconpasso sério e até valorizo a honestidade dele em verbalizar isso.
Mas pra mim não houve engano.
A tal vontade de amar que paraliza o trabalho do Drummond só me atrapalha a vida. Fui ali cheia de disposição e ouço num sábado de madrugada que fui um engano.
É muito azar.
sábado, 23 de abril de 2011
dormir com ele.
Na última noite em que eu estive com alguém tocou "De volta pro meu aconchego" com a Elba Ramalho e nós dois comentamos que gostamos dessa música. Tenho percebido que a parte mais bonita de qualquer relação é o breve momento entre o sexo e o sono: Tudo o que é macio e fragil fica exposto nesses minutos. Se eu dividi com ele esse tempo tão depressa é porque foi especial. Esse homem não deve se tornar mais do que algumas noites felizes, mas ah... nós juntos somos muito felizes. Poucos encontro e já existem piadas internas, sutilezas e brigas. Eu já chorei. Depois dei uma desencantada e ficou tudo bem. Ainda há desculpas a serem aceitas. O cabelo e a voz dele são os mais delicados. Não sou ícone em nada do que me proponho a aprender, nem consigo bancar a sex machine que a propaganda anuncia, mas tenho isso de acariciar a barba de quem desejo. Acho que compensa.
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