Comecei um trabalho novo no mesmo lugar recentemente. Agora não vejo mais a baía de Guanabara azul e sem ondas. Vejo a Lapa do sexto andar. É gente indo e vindo, a lateral da escola de música da UFRJ, a Escola de Desenho Industrial da UERJ e o Passeio Público. Volta e meia tem um rapaz negro de dread que pluga uma gritarra não sei onde e fica cantando o dia inteiro. É bom o repertório dele, tem Legião, Cidade Negra e Cazuza. Antes eu trabalhava com fotografias, agora são textos. Peguei hoje a Coleção Nara Leão. Eram letras e mais letras escritas a mão por ela. Ninguém mais escreve músicas inteiras a caneta, só adolescentes, eu acho. Me lembro que eu e minha amiga Patricia queríamos a letra de "Smels like teen spirit" e não encontrávamos em lugar nenhum. Aí veio a internet e os limites se perderam. Queria ser que nem charmosa e interessante como a Nara. Queria ter a importância dela. Penso que é ela o grande sujeito da Revolução da Música Brasileira. Nessa onda que a História está de atribuir a devida importância aos individuos, posso dizer que é da Nara a minha trajetória artística favorita.
Tô afinzaça de um carinha aí, acho que ele corresponde, mas não há sintonia. Não consigo dizer a ele o quanto me sinto atraída. Tenho vontade de dizer: "Oi, quero dar pra você", mas tenho que ficar nessa ladainha ridícula de "E aí, como vai a vida?". Uma merda isso. A Nara não devia ser assim. Com toda a delicadeza dela os homens deviam brotar no chão. Ai ai ai, meu Deus, cadê as minahs estratégias de sedução?
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
O quereres.
Esse beijo que eu guardo na garganta e que insiste em sair murcha e ascende a cada segundo. Foi num plim plim que eu deixei de te amar. E quando passo perto da sua casa ainda te amo. Como ameixas e nozes a tarde pra não te querer de novo. Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz e de nada adiantou. Não tem mais fim, não tem mais fim, não tem mais fim. Terminou.
Genealogia.
Tenho cinco minutos, sou mulher, bebo, como, gosto de pimenta e não adoço suco de laranja. Não me atraio por homens fardados e vejo minhas hierarquias internas cairem por terra todos os dias. Vi uma mulher sem perna tentar seduzir o homem que era pra ser meu, homem esse que eu entendo de longe e que amo de longe, mas isso não é uma questão anymore. Era linda a moça, mas não tinha uma das pernas. Joguei todo o meu ciúme na perna ausente e me alegrei com a Macy Gray que está tocanco agora no rádio. Fiz um cd pra ele. Tinha essa música, mas ele não ouviu. Quanta coisa ele não sabe, quanta coisa ele não quis saber...
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
Deus não dá asas a cobra.
Segunda feira de manhã no trabalho ela fez uma reunião de emergência. Tinha passado o domingo inteiro conferindo as atividades da semana e encontrou dois problemas pequenos, mas que devem ser investigados. A tarefa já foi terminada, mas ela não admite deixar qualquer furo. Por estar cansada de associar sequências numéricas infinitas, pediu ajuda ao marido. Eram folhas e mais folhas de anotações dela e dele. Estava de cabelo em pé e rouca.
Seu salário não compra um buldogue francês.
Alguém manda ela ser feliz?
Seu salário não compra um buldogue francês.
Alguém manda ela ser feliz?
Alforria.
Se eu fosse uma mulher poderosa
e se eu soubesse ficar quieta
eu diria o "Volta pra mim" que tanto venho ensaiando
e mandava o resto pro Inferno.
e se eu soubesse ficar quieta
eu diria o "Volta pra mim" que tanto venho ensaiando
e mandava o resto pro Inferno.
terça-feira, 20 de outubro de 2009
O mundo só é grande pra quem esquece.
Enquanto isso durante um intervalo nas palestras de um Seminário sobre a História do Individuo:
- Oi, você é aqui do Rio?
- Não, sou de Porto Alegre.
- Humm...Qual o seu nome?
- Igor?
- Hummmm! Você veio ao Rock'n Rio?
- Vim no show do Guns, por que?
- Porque eu te conheci lá.
- É?
- É. Foi no meio do show do Oasis. Eu e uma amiga [a gente] tava tentando passar e não conseguia. Aí você e um amigo seu também tavam tentando e ajudaram a gente.
- Nossa! E você lembra disso?
- Não, é que depois a gente ficou conversando...
- Ficou?
- Ficamos. Você até me ligou de Porto Alegre...
- Bah, que memória a tua!
- Pois é!
- E aí, você fez Historia?
- Fiz sim. Faço Doutorado na Unicamp. Você fez História também?
- Fiz sim, fiz aqui na UFRJ mesmo. Vou tentar o o mestrado esse ano.
- Legal! Estuda o que?
- Estudo Tropicalismo. Na verdade eu quero estudar as referências populares que o Tropicalismo usa pra discutir o interesse que existe nisso, a colaboração desse movimento para a flexibilização da idéia de cultura popular e erudita no Brasil e tal...
- Hum...Legal.
- E você estuda o que?
- Estudo escravidão, mais especificamente eu análiso os escravos de uma fazenda algodoeira do Sul do Rio Grande na segunda metade do século XIX.
- Hummmmmm! Legal! Você tá livre agora?
- Tô..
- Quer tomar um café?
- Pode ser... Aqui mesmo?
- Não, lá fora. Tem uma confeitaria boa aqui perto.
- Vamo então.
- Vamo.
- Mas aí...você gostou do show do Guns?
- Pô, pra caralho!
...
- Oi, você é aqui do Rio?
- Não, sou de Porto Alegre.
- Humm...Qual o seu nome?
- Igor?
- Hummmm! Você veio ao Rock'n Rio?
- Vim no show do Guns, por que?
- Porque eu te conheci lá.
- É?
- É. Foi no meio do show do Oasis. Eu e uma amiga [a gente] tava tentando passar e não conseguia. Aí você e um amigo seu também tavam tentando e ajudaram a gente.
- Nossa! E você lembra disso?
- Não, é que depois a gente ficou conversando...
- Ficou?
- Ficamos. Você até me ligou de Porto Alegre...
- Bah, que memória a tua!
- Pois é!
- E aí, você fez Historia?
- Fiz sim. Faço Doutorado na Unicamp. Você fez História também?
- Fiz sim, fiz aqui na UFRJ mesmo. Vou tentar o o mestrado esse ano.
- Legal! Estuda o que?
- Estudo Tropicalismo. Na verdade eu quero estudar as referências populares que o Tropicalismo usa pra discutir o interesse que existe nisso, a colaboração desse movimento para a flexibilização da idéia de cultura popular e erudita no Brasil e tal...
- Hum...Legal.
- E você estuda o que?
- Estudo escravidão, mais especificamente eu análiso os escravos de uma fazenda algodoeira do Sul do Rio Grande na segunda metade do século XIX.
- Hummmmmm! Legal! Você tá livre agora?
- Tô..
- Quer tomar um café?
- Pode ser... Aqui mesmo?
- Não, lá fora. Tem uma confeitaria boa aqui perto.
- Vamo então.
- Vamo.
- Mas aí...você gostou do show do Guns?
- Pô, pra caralho!
...
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Distraídos venceremos.
" O que óbviamente não presta sempre me interessou."
Clarice Lispector se tornou o ídolo das mulheres que não tem nada a dizer. Confesso que gosto muito das frases, dos contos e dos livros dela, mas me irrito com algumas citações da autora jogadas ao vento no Orkut. No entanto a afirmação acima, postada por uma amiga antiga que tem muito pouco a dizer, serviu tão certinho para o meu momento de ode ao óssio que não pude evitar falar sobre ela.
Nesse momento da minha vida TUDO é mais interessante do que estudar. Eu durmo, ouço música, procuro um cachorro pra chamar de meu, me meto a escrever sobre os restaurantes que frequento e até mando e-mail para o colunista pseudo-bonzinho e quase chato que escreve sobre bares no Jornal do Brasil. Mas estudar que é bom nada.
A seleção para o programa de pós graduação que eu não quero pra mim, mas que é o único pláusivel nesse momento de vastas emoções, pensamentos imperfeitos e dias cansativos no trabalho, começa daqui a menos de um mês e isso não me diz nada. Quero tentar, mas não tenho forças. E não há justificativa. Não estou sofrendo, não tenho traumas, tenho tema e uma vontade enorme de fazer o mestrado. Arrisco dizer que a essa altura da vida esse é o meu objetivo maior. Tenho pressa sim, não vim ao mundo a passeio, mas estou com preguiça. E quer saber? Não me sinto culpada.
Clarice Lispector se tornou o ídolo das mulheres que não tem nada a dizer. Confesso que gosto muito das frases, dos contos e dos livros dela, mas me irrito com algumas citações da autora jogadas ao vento no Orkut. No entanto a afirmação acima, postada por uma amiga antiga que tem muito pouco a dizer, serviu tão certinho para o meu momento de ode ao óssio que não pude evitar falar sobre ela.
Nesse momento da minha vida TUDO é mais interessante do que estudar. Eu durmo, ouço música, procuro um cachorro pra chamar de meu, me meto a escrever sobre os restaurantes que frequento e até mando e-mail para o colunista pseudo-bonzinho e quase chato que escreve sobre bares no Jornal do Brasil. Mas estudar que é bom nada.
A seleção para o programa de pós graduação que eu não quero pra mim, mas que é o único pláusivel nesse momento de vastas emoções, pensamentos imperfeitos e dias cansativos no trabalho, começa daqui a menos de um mês e isso não me diz nada. Quero tentar, mas não tenho forças. E não há justificativa. Não estou sofrendo, não tenho traumas, tenho tema e uma vontade enorme de fazer o mestrado. Arrisco dizer que a essa altura da vida esse é o meu objetivo maior. Tenho pressa sim, não vim ao mundo a passeio, mas estou com preguiça. E quer saber? Não me sinto culpada.
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